Mostra 2021: Lua Azul
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Mostra 2021: Lua Azul

Luiz Zanin Oricchio

19 de outubro de 2021 | 12h36

A Mostra 2021 está para começar e já vou adiantando aqui minhas anotações sobre o que tenho visto nas sessões para imprensa. 

Aviso que nem sempre colocarei textos sobre filmes em ordem cronológica de exibição. No caso, sim, pois o romeno Lua Azul passa pela primeira vez amanhã, dia 20/10. Mas nem sempre será assim. 

Em todo caso, sempre confiram a programação e os meios para comprar o ingresso, online ou presencial. Os filmes são apresentados várias vezes. Perdeu uma sessão, corra atrás de outra. 

Enfim, o filme. 

Lua Azul é o título poético para o pancadão romeno dirigido por Alina Grigori. Tem como personagem central Irina (Ioana Chitu), uma garota de 22 anos que luta para ter uma educação universitária. 

Para tanto, ela precisa escapar da família disfuncional e mudar-se ou para Bucareste ou – melhor ainda – para Londres. Quanto mais distante, melhor. 

No entanto, ela terá de lutar contra a oposição da família. Os parentes, a começar por primos e irmãos, entendem que o melhor para todos é ela ficar por lá, ajudando a tocar os negócios do clã. 

O tom é, digamos, bastante explícito. Cada qual expõe suas neuroses e sua violência sem pudor aparente. Não há pudor também, e nem poesia, na maneira como tudo é filmado. O estilo conta e o da diretora parece ser o de expor tudo sem qualquer disfarce ou atenuante. 

Por exemplo, Irina vai a uma festinha, bebe demais e, quando acorda, descobre que transou com alguém. Não se lembra com quem. Depois descobre. E dá início a um relacionamento que se pode chamar de abusivo. 

No começo, achei que seria o estopim para a discussão de uma questão moral. Pode-se falar de estupro, num caso desses? Mas o caminho escolhido é outro. E, se algo aconteceu, Irina parece ser, no mínimo, cúmplice do caso. 

Aliás, esse deve ser um dos pontos interessantes do filme: ao invés de separar vítimas e opressores, parece sugerir que um sistema, mesmo disfuncional, opera com a conivência de todos. Luz Azul é perturbador e vale a pena ser visto. Ganhou o troféu de melhor filme no Festival de San Sebastián, na Espanha. 

Todas as informações necessárias sobre horários e compra de ingressos estão no site da Mostra: https://45.mostra.org/

 

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