Mostra 2021: A História da minha esposa
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Mostra 2021: A História da minha esposa

Luiz Zanin Oricchio

02 de novembro de 2021 | 12h10

Ouvi falar bem e mal de A História da Minha Esposa, da húngara Ildikó Enyedi. De fato, o início parece bem inverossímil. O capitão holandês Jakob Störr (Gijs Naber) encontra-se num café com um amigo (Sergio Rubini) e promete que vai se casar com a primeira mulher que cruzar a porta. Tem sorte: quem surge é a encantadora Lizzy, vivida (e bem vivida) pela francesa Léa Seydoux.

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A história desenvolve-se por vários capítulos e uma boa duração – mais de 2h40. Muito tempo? Não achei. A trama vai envolvendo. Tem um certo perfume de mil e uma noites, algo encantatório, hipnótico, no bom sentido do termo.

Lizzy tem uma amizade preferencial por Dedin, um dândi vivido por Louis Garrel. Störr passa grandes temporadas no mar. O que faz a esposa durante esse tempo? O casal sai de Paris, vai morar em Hamburgo. Há ciúmes, uma relação de paixão que ora se desestabiliza, ora se apruma, apenas para voltar a agitar-se. Como um navio que atravessa mares diferentes, pacíficos ou crispados. Ou simplesmente monótonos. Ou insuportavelmente furiosos.

O romance foi escrito por Milán Füst em 1942, quer dizer, em plena guerra. Há edição em português, embora rara.

Não conheço o livro. E portanto não sei se o filme é “fiel” a ele. Pela versão cinematográfica, parece uma defesa da autonomia feminina, mesmo num mundo dominado pelo machismo.

Deixando-se levar pelo filme, ele torna-se encantador também. A História da Minha Esposa tem algo de moderno e também algo de retrô, mesmo no registro fotográfico e na maneira como é filmado. Tudo isso posto, fico do lado dos que falam bem do filme.

Todas as informações necessárias sobre horários e compra de ingressos estão disponíveis no site da Mostra: https://45.mostra.org/