Mostra 2018: ganhou Las Sandinistas, sobre as mulheres que fizeram a revolução na Nicarágua
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mostra 2018: ganhou Las Sandinistas, sobre as mulheres que fizeram a revolução na Nicarágua

Luiz Zanin Oricchio

01 Novembro 2018 | 14h21

Terminou a Mostra, e bem, com a corajosa decisão do júri de premiar o documentário Las Sandinistas, de Jenny Murray. O filme traz o depoimento das mulheres guerrilheiras que se incorporaram à luta contra a ditadura de Anastasio Somoza.

Tomaram o poder, realizaram algumas utopias, arquivaram outras. As revoluções têm dinâmicas próprias, muitas vezes devoram seus filhos e tomam caminhos inimagináveis. Em parte aconteceu com a Nicarágua e o depoimento sensível de mulheres que lutaram, ocuparam o poder, e com ele se desiludiram, é importante para a gente entender que o sonho dos homens, e das mulheres, não se realiza de maneira linear.

Nem por isso convém desistir de sonhar, porque o ser humano que não sonha é um triste bicho.

Enfim, foi uma bela Mostra. Vi muitos filmes, alguns excepcionais. Perdi muita coisa também, a julgar pelo que disseram amigos em cujo julgamento confio.

Não faz mal. Não dá para ver tudo. Não dá para ter tudo. E, nestes tempos em que nos sentimos órfãos e peixes fora d’água, sempre é bom ver que o pensamento humanístico, tão fora de moda no Brasil e em outras partes do mundo, continua dominante no Planeta Cinema.

É nele que nos abrigamos quando tudo vai mal. Para sairmos fortalecidos e mais preparados para enfrentar a realidade. No nosso caso, a realidade é este filme de terror de péssima qualidade em que se tornou o Brasil.

Abaixo, a premiação completa  

 

 

 

 

MELHOR FILME

¡Las Sandinistas!

EUA, 2018, cor, 96 min. Documentário.

direção Jenny Murray

Um retrato das mulheres guerrilheiras e revolucionárias que derrubaram barreiras para liderar o combate e a reforma social durante a Revolução Sandinista na Nicarágua, em 1979. Mesmo após o término do conflito, elas foram pioneiras na criação de programas sociais e educacionais. Hoje, lutam para que o governo do país não apague sua história.

MENÇÃO HONROSA DO JÚRI INTERNACIONAL

Sócrates

Brasil, 2018, cor, 71 min. Ficção.

direção  Alex Moratto

roteiroAlex Moratto e Thayná Mantesso

elencoChristian Malheiros, Tales Ordakji e Rosane Paulo

Após a morte de sua mãe, Sócrates, um garoto de 15 anos, encontra-se sozinho no mundo. Durante sua jornada por sobrevivência, ele enfrenta pobreza, violência, racismo e homofobia —situações que testam sua coragem para continuar vivendo.

Júri Internacional: Astrid Adverbe, Edgard Tenembaum, Ferzan Özpetek, Teresa Villaverde e Sergio Machado

PRÊMIO PETROBRAS DE CINEMA

A 42ª Mostra concede pela segunda vez o Prêmio Petrobras de Cinema a dois filmes brasileiros e pela primeira vez eles foram escolhidos pelo público. São R$ 300 mil aos títulos determinados pelos espectadores, sendo R$ 200 mil para o melhor longa de ficção, dado a Meio Irmão, e R$ 100 mil para Torre das Donzelas, que recebe o prêmio de melhor longa documentário.

Conheça os filmes contemplados com os prêmios:

MELHOR FILME BRASILEIRO DE FICÇÃO

Meio Irmão

Brasil, 2018, cor, 98 min. Ficção.

direção | roteiroEliane Coster

elencoNatália Molina, Diego Avelino e Francisco Gomes

A mãe de Sandra está sumida há dias. Desorientada e sem dinheiro, ela pede ajuda a Jorge, seu meio irmão distante. Ele, porém, enfrenta uma situação difícil: após gravar uma agressão homofóbica, passa a sofrer ameaças para não divulgar as imagens.

MELHOR DOCUMENTÁRIO BRASILEIRO

Torre das Donzelas

Brasil, 2018, cor, 97 min. Documentário.

direção Susanna Lira

roteiroSusanna Lira e Rodrigo Hinrichsen

O filme traz relatos inéditos da ex-presidente Dilma Rousseff e de suas ex-companheiras de cela do Presídio Tiradentes, em São Paulo, e remonta, como um exercício lúdico de memória, os dias no cárcere.

PRÊMIO DO PÚBLICO

O público da 42ª Mostra escolheu, entre os estrangeiros, Cafarnaum, como melhor filme de ficção, e ¡Las Sandinistas! recebe o de melhor documentário.

A escolha do públicoé feita por votação. A cada sessão assistida, o espectador recebeu uma cédula para votar com uma escala de 1 a 5, entregue sempre ao final do filme. O resultado proporcional dos filmes com maiores pontuações determinou os vencedores.

Conheça os filmes premiados pelo público:

PRÊMIO DO PÚBLICO – MELHOR FICÇÃO INTERNACIONAL    

 

Cafarnaum

Líbano, 2018, cor, 120 min. Ficção.

direção Nadine Labaki

roteiroNadine Labaki, Jihad Hojeilly e Michelle Keserwany

elencoZain Al Rafeea, Yordanos Shiferaw e Boluwatife Treasure Bankole

Zain é um menino de 12 anos que se comporta como adulto devido ao sofrimento que passou: fugiu dos pais abusivos, foi morar nas ruas, cuidou da refugiada Rahil e de seu bebê e foi preso por um crime violento. O garoto, então, decide entrar nos tribunais com um processo contra seus pais, acusando-os do “crime” de lhe dar a vida.

PRÊMIO DO PÚBLICO – MELHOR DOCUMENTÁRIO INTERNACIONAL

 

¡Las Sandinistas!

EUA, 2018, cor, 96 min. Documentário.

direção Jenny Murray

Um retrato das mulheres guerrilheiras e revolucionárias que derrubaram barreiras para liderar o combate e a reforma social durante a Revolução Sandinista na Nicarágua, em 1979. Mesmo após o término do conflito, elas foram pioneiras na criação de programas sociais e educacionais. Hoje, lutam para que o governo do país não apague sua história.

PRÊMIO DA ABRACCINE

A Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema também realiza tradicionalmente uma premiação que, nesta edição, optou por escolher o melhor filme brasileiro entre os realizados por diretores estreantes, que, neste ano, foi o longa Meio Irmão, de Eliane Coster.

PRÊMIO DA ABRACCINE

Meio Irmão

Brasil, 2018, cor, 98 min. Ficção.

direção | roteiroEliane Coster

elencoNatália Molina, Diego Avelino e Francisco Gomes

A mãe de Sandra está sumida há dias. Desorientada e sem dinheiro, ela pede ajuda a Jorge, seu meio irmão distante. Ele, porém, enfrenta uma situação difícil: após gravar uma agressão homofóbica, passa a sofrer ameaças para não divulgar as imagens.

Júri – Prêmio Abraccine: Bruno Ghetti, Cecília Barroso, Filipe Furtado, Isabel Wittman eRoger Lerina

PRÊMIO DA CRÍTICA

A imprensa especializada que cobre o evento e tradicionalmente confere o Prêmio da Crítica, também participou da premiação elegendo Todas as Canções de Amor como o melhor filme brasileiro e Nuestro Tiempo como o melhor dos estrangeiros.

Conheça os filmes premiados pela crítica:

MELHOR FILME BRASILEIRO

Todas as Canções de Amor

Brazil, 2018, cor, 90 min. Ficção.

direçãoJoana Mariani  

roteiroNina Crintz, Vera Egito, Roberto Vitorino

elencoMarina Ruy Barbosa, Bruno Gagliassoe Julio Andrade

Os recém-casados Chico e Ana se mudam para um novo apartamento. No imóvel, eles encontram uma antiga fita cassete gravada décadas antes por Clarice, em uma fase em que ela vivia o término de seu casamento. Jovem escritora, Ana usa esse registro como inspiração para suas primeiras linhas. Duas histórias separadas pelo tempo, mas unidas pela música.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Nuestro Tiempo

México, França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, 2018, 178 min, cor. Ficção.

Direção | roteiroCarlos Reygadas

elencoCarlos Reygadas, Natalia Lópeze Phil Burgers

Uma família mora no interior do México criando touros para competições. Estheré responsável pela administração da fazenda, enquanto seu marido, Juan, um renomado e conhecido poeta, cria e seleciona os animais. Quando Esther se apaixona por um domador de cavalos, Juan se sente incapaz de atender as expectativas que tem sobre si mesmo.