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Morreu Ederaldo Gentil

Luiz Zanin Oricchio

02 de abril de 2012 | 12h53

 

É duro viver fora do eixo. É difícil até morrer. Sai-se de cena no anonimato, como aconteceu com Ederaldo Gentil, que acabou seus dias sexta-feira passada, na Bahia, aos 68 anos.

Você pode não ligar o nome à pessoa, ou à obra, mas se falarmos do samba O Ouro e a Madeira, grande sucesso na voz de Clara Nunes, talvez se lembre. Se o samba tocar, sua memória musical vai ter aquele clique de reconhecimento imediato.

Os versos são bonitos: O ouro afunda no mar/Madeira fica por cima/Ostras nascem no lodo/Gerando pérolas finas. A tentação é aplicá-los ao próprio Ederaldo que, dizem (não o conheci em pessoa), não era Gentil apenas no nome.

Adoro este samba. Mas não é meu favorito. Prefiro Pequenino, que é de uma humildade absolutamente zen. Quem faz músicas assim não podia ser comum, banal, mercadológico.

Ederaldo gravou disco com Batatinha e, em 1999, o álbum Pérolas Finas o homenageava com gravações de Gilberto Gil, Beth Carvalho, Luiz Melodia e outros. Nem assim, que eu saiba, saiu da sombra, pelo menos por aqui.

Ederaldo vivia com a irmã, retirado havia muitos anos. Dizem que tinha problemas mentais. Talvez fosse só tristeza.

 

 

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