Morre Zsa Zsa Gabor, pioneira do culto à celebridade
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Morre Zsa Zsa Gabor, pioneira do culto à celebridade

Luiz Zanin Oricchio

19 Dezembro 2016 | 00h24

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Morreu a atriz Zsa Zsa Gabor, aos 99 anos. Gente da nova geração nem deve ter ouvido falar. Mas cinéfilos mais veteranos devem lembrar da loira voluptuosa, que trabalhou em mais de 70 filmes, entre eles Moulin Rouge (1952), de John Huston, e A Marca da Maldade (1958), de Orson Welles.

Lembram também da vida de celebridade, frenética e tempestuosa, que, de certa forma, a tornou mais famosa que seus próprios filmes. Zsa Zza Gabor ficou conhecida pelos casamentos – e pelos divórcios. Casou-se nove vezes. Ou, como dizia, talvez inspirada em Fellini, oito vezes e meia porque não poderia contar como inteiro o casamento com um duque espanhol. Nunca explicou o que queria dizer com isso. Mas, deduz-se.

Húngara, nascida Sari Gabor, em Budapeste, 6 de fevereiro de 1917, Zsa Zsa fez carreira em Hollywood. Falava sete idiomas e, apesar de morar por mais de 50 anos em Los Angeles, jamais perdeu o sotaque húngaro, característica que, entre outras mais palpáveis, a tornava encantadora. Foi Miss Hungria em 1936. Em 1937 casou-se com um intelectual turco, primeira de suas nove uniões legais. A estreia no cinema se deu em 1952, no musical Lovely To Look At. Àquela altura do campeonato já estava em seu terceiro matrimônio, agora com o ator George Sanders, tendo já se livrado do segundo marido, o empresário do ramo hoteleiro Conrad Hilton, com quem teve a única filha, Francesca.

Zsa Zsa Gabor trabalhou em alguns filmes muito bons, ou mesmo geniais, como A Marca da Maldade. Porém, foi mesmo pioneira do modelo atual de celebridade – em que a pessoa é famosa porque é famosa. Tautologia que se explica porque a celebridade se auto-alimenta no ciclo da sociedade do espetáculo, como se inflasse do nada. Como era uma mulher exuberante, cheia de personalidade e desbocada, nutriu de conteúdo essa fama etérea por um longo período.

Era inteligente e frasista ferina. Suas sentenças sobre o sexo e o matrimônio estão entre as melhores de Hollywood. Veja algumas:

“Jamais odiei um homem a ponto de devolver-lhe os diamantes que me havia presenteado.”

“Sou uma ótima dona de casa. Toda vez que me divorcio de um homem, fico com a casa dele”.

A um repórter que lhe perguntou quantos maridos havia tido: “Você quer dizer, além dos meus?”

“Uma garota deve casar por amor. E continuar casando até encontrá-lo.”

Além dos casamentos oficiais, Zsa Zsa manteve relações, digamos, íntimas, com gente como Sean Connery, Frank Sinatra e Richard Burton. Mas os especialistas em fofocas de Hollywood concordam que a ligação mais tempestuosa foi com o mitológico playboy Porfirio Rubirosa, da República Dominicana. O casal vivia às turras e consta que Zsa Zsa teve de se apresentar com uma máscara em Las Vegas para disfarçar um olho roxo herdado de Rubirosa, em um das inúmeros e famosos pugilatos da dupla. Seu último marido foi Frederic von Anhalt, e foi ele quem comunicou sua morte, ocorrida por um ataque cardíaco. Há muito Zsa Zsa estava doente e vivia retirada. Enfrentara muitos problemas de saúde anteriores e teve uma de suas pernas amputadas.

Seu último trabalho, dos 76 listados pelo site de cinema IMDB, foi em A Very Brady Sequel, representando a si mesma. Atuou nos últimos anos em séries de TV, a maioria como “ela mesma”. “Herself”, uma personalidade em si, que vive da própria notoriedade. Seu principal reconhecimento foi um Globo de Ouro Especial, para “a atriz mais glamurosa de 1958”.

E os papéis mais importantes são mesmo os de Jane Avril, em Moulin Rouge, e a dona do cabaré em A Marca da Maldade. Mas esse currículo limitado diz pouco sobre o lugar privilegiado que ocupou no imaginário masculino dos anos 1940 e 1950, em especial. Isso não se contabiliza em prêmios ou grandes filmes. É de outra ordem. Todos a conheciam. Paris Hilton (sua sobrinha neta) e Kim Kardashian são fichinhas perto dela.

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