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Morre Vanja Orico, a “rainha do cangaço”

Luiz Zanin Oricchio

28 Janeiro 2015 | 19h04

Morreu hoje no Rio de Janeiro, com 85 anos, a atriz, cantora e cineasta Vanja Orico. Vanja ficou famosa ao participar do elenco de O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, no qual cantava Muié Rendera e Sodade, meu Bem, Sodade. O filme – e também a canção Mulher Rendeira – foram sucessos internacionais e rodaram mundo.

Mas Vanja já havia sido descoberta anos antes. Então uma mocinha em turnê pela Europa com um show chamado Macumba, acabou fazendo sua estreia no cinema pela porta da frente. Figura no filme de estreia de ninguém menos que Federico Fellini (em parceria com Alberto Lattuada), Mulheres e Luzes (1950). Numa cena em uma Piazza romana, ela entoa o clássico popular brasileiro Meu Limão, Meu Limoeiro, enquanto se acompanha ao violão.

De volta ao Brasil, e com a participação notável no filme de Lima Barreto, Vanja tornou-se figura indispensável de outras obras do chamado “ciclo do cangaço”, apelidado por alguns de “nordestern”, ou seja, faroestes ambientados no Nordeste brasileiro. Muitos deles encenavam essa região esturricada do sertão nordestino no interior paulista mesmo, para baratear os custos. O próprio O Cangaceiro foi filmado no interior do Estado de São Paulo. Entre outros filmes, Vanja figura no elenco de Lampião, o Rei do Cangaço e Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro.

Filha do escritor paraense Osvaldo Orico, Vanja (nome de batismo Evangelina), nascida no Rio de Janeiro em 1931, era uma mulher culta e sofisticada. Foi uma grande divulgadora no exterior da cultura brasileira de raiz. Além de ter brilhado nos nordesterns, atuou em filmes de outros gêneros, como o patrioteiro Independência ou Morte, e Ele, o Boto, de Walter Lima Jr. Filha de paraense, forneceu ao cineasta fluminense o argumento para o filme, baseado em lendas da região amazônica.

Vanja participou em cerca de 20 filmes e gravou 15 discos. Dirigiu, em 1973, o longa O Segredo da Rosa, um drama sobre crianças abandonadas. Promoveu o trabalho do pai e lançou o livro de contos de Oswaldo Orico, A Vida Imita os Contos (Editora Record, 1995), com prefácio de Jorge Amado.