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Morre o escritor Autran Dourado

Luiz Zanin Oricchio

30 de setembro de 2012 | 14h10

Morreu hoje, no Rio, o escritor Autran Dourado, com 86 anos.

Era autor de livros como “Uma vida em segredo” (1964), “Ópera dos mortos” (1967) e “Confissões de Narciso” (1997), entre muitos outros.

Provavelmente, o melhor romance de Autran fosse Ópera dos Mortos, o mais polifônico e complexo, como ele mesmo me disse numa entrevista há muitos anos, talvez em meados dos anos 1990. Preciso encontrá-la nos meus alfarrábios, pois antecede a internet e à digitalização do arquivo do Estado. Está apenas no papel, o que, hoje em dia, é uma maneira de não-estar.

Era um tempo em que fazíamos longas entrevistas. Entrevistas para valer, não essas empulhações em série de hoje em dia. Havia mais tempo para elaborar e mais espaço para escrever. Talvez houvesse também leitores que se interessassem no que um escritor tinha a dizer sobre seu trabalho, em duas ou três páginas de jornal.

Em todo caso, cabe lembrar que, além da literatura, Autran teve uma incursão pelo cinema, pelo menos uma, que eu saiba. Foi com a adaptação, por Suzana Amaral, de Uma Vida em Segredo, com Sabrina Greve no papel principal. É a história (triste) de uma moça encantadora, porém singularmente inadaptada.

Do meu contato com ele, ficou a impressão de uma pessoa muito culta, aberta e simples. Sua mineirice era explícita no trato e passamos, em seu apartamento, uma longa e agradável tarde conversando sobre literatura…e vida.

Adeus, Autran.

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