Morre o crítico paraibano Wills Leal
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Morre o crítico paraibano Wills Leal

Luiz Zanin Oricchio

07 de maio de 2020 | 11h26

Willis Leal com a atriz Virginia Cavendish

Morreu, aos 83 anos, o crítico de cinema e agitador cultural paraibano Wills Leal. Criador da “Hollywood nordestina”, em Cabaceiras, onde foi filmado o Auto da Compadecida, entre outros filmes, Willis deixa algumas obras fundamentais sobre o cinema do seu Estado. Entre elas os dois volumes de Cinema Paraibano e o pequeno porém influente livro Introdução ao Cinema Nordestino, prefaciado por Jean-Claude Bernardet. 

Esta pequena obra tem uma história interessante. Willis a escreveu e mandou os originais para Jean-Claude. Rigoroso e implacável, Bernardet a leu e mandou a Willis uma extensa carta, reconhecendo a importância do livro, porém fazendo uma série de reparos. Inteligente e permeável a críticas, Wills não se deu por achado e transformou a carta no prefácio ao livro. Maneira perfeita de fazer do limão uma limonada, mesmo porque o texto de Bernardet é uma pequena joia.

Wills foi uma figura importantíssima na vida cultural paraibana. Jornalista, crítico de cinema e escritor, era figura ligada ao cineclubismo e ao turismo da cidade. No dizer do jornalista Sílvio Osias, do Jornal da Paraíba, “A Academia Paraibana de Cinema” não existiria sem Willis.

De espírito sempre jovem, Wills era figura incontornável nos debates do Fest Cine Aruanda. Era polêmico, incisivo, com ideias muito bem fundamentadas.

Tivemos o prazer de tê-lo como cicerone em visita à Roliúde Nordestina, em Cabaceiras, onde saboreamos uma boa carne de bode em sua companhia. Willis entendia de bodes e de filmes. E de muitas outras coisas também. Era arraigado a seu Estado, porém com alma profundamente universal. Um prazer conversar com ele. Fará muita falta à cultura brasileira e nordestina, em particular.

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