Morre José Agrippino de Paula
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Morre José Agrippino de Paula

Luiz Zanin Oricchio

05 de julho de 2007 | 17h41

agri

Acabei de receber um e-mail da sua editora, a Papagaio, dizendo que o Zé Agrippino morreu de infarto, no Embu das Artes, aos 70 anos. Quem é da minha geração sabe como foi importante o seu Panamérica, um ícone da literatura pop, inventiva, libertária dos malucos beleza dos anos 60 e 70. Fez também um filme interessante chamado Hitler 3º Mundo, clássico do cinema dito underground. Dele, outro maldito, Jairo Ferreira, escreveu: “Seu filme é o mais radical e mais extraordinário ensaio de quantos foram feitos no Brasil de um cinema alternativo. Engrossa o caldo experimental em primeiro plano. A narrativa não é linear, mas integrada por blocos.”

Nada, aliás, era linear na vida de Agrippino. Diagnosticado como esquizofrênico, vivia no Embu. Era difícil conversar com ele, mas a cineasta (e psicanalista) Miriam Chnaiderman resgatou esse autor, homenageado por Caetano em Sampa, no filme Passeios no Recanto Silvestre. Seria interessante reler hoje PanAmérica (no verso de Caetano “Panaméricas utópicas de aço…”). Sua prosa onírica estaria datada? Vive? Ou é apenas testemunho dos anos do desbunde, do sufoco político regado a drogas, sexo e rock’n’roll? Com a palavra, os críticos. E, mais do que eles, os leitores.

Adendo, colocado às 22h50: se tiverem curiosidade, cliquem aqui para ler o belo texto do Jotabe Medeiros, que conhecia muito bem o Agrippino e o entrevistou no Embu.

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