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Diário da Itália (10) Mojica, Monicelli, etc

Luiz Zanin Oricchio

30 de agosto de 2008 | 15h56

VENEZA- Mojica teve uma boa sessão ontem à noite. Umas 300 pessoas na Sala Grande, que tem pouco mais de mil poltronas. Pouca gente foi embora. Houve aplausos para o diretor na apresentação e durante o filme, em especial nas cenas de tortura que, pelo jeito, caíram no gosto de uma certa tribo. No final, mais aplausos. Há um nicho de mercado para Mojica. Qual o tamanho dele, não se sabe. O fato é que o filme fracassou no Brasil.

Delicioso o Monicelli que eu não conhecia, Toh, è Morta la Nonna. De 1969, o filme certamente é uma matriz de Parente É Serpente. O humor corrosivo de Monicelli não tem limites. Coloca suas lentes, em especial, sobre a sociedade italiana e as relações familiares, que tendem (ou tendiam) a ser idealizadas neste país e em outros. A história é a da família que se reúne para o funeral da avó, a proprietária de uma fábrica que, no entanto, tem como “bíblia” o livrinho vermelho dos pensamentos de Mao. Ótima diversão – com massa cinzenta. Monicelli não foi à sessão. Quem foi, numa cadeira de rodas, foi uma das atrizes, Valentina Cortese, belíssima em seu tempo.

Acabei agora de assistir A Outra, filme francês de Patrick Mario Bernard e Pierre Trividic. Não me perguntem quem são, pois estou conhecendo agora. Gostei do filme, embora um tantinho frio e meio que cerebral no pior sentido. Dominique Blanc faz a assistente social que rompe um caso com um homem mais novo e começa a pirar quando descobre que ele a substituiu por uma mulher da mesma idade que ela. O tema do duplo, tão velho quanto a humanidade entra em filigrana nesse filme que apresenta um bom trabalho de Dominique.

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