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Meia maratona no cinema: Bond, Museu e Diamante

Luiz Zanin Oricchio

07 Janeiro 2007 | 11h29

Estive ontem no Arteplex Frei Caneca em média maratona cinematográfica – três filmes. Maratona inteira é de cinco para cima. Vi duas estréias que havia perdido – Cassino Royale e Diamante Sangrento – e uma pré-estréia de Uma Noite no Museu, que entra em cartaz na semana que vem.

Achei 007 – Cassino Royale um James Bond mais pirotécnico do que a média dos filmes da série. Efeitos especiais são uma tentação – em havendo, é preciso usar, e cada vez mais, numa espiral sem fim. Não que a série baseada em Ian Fleming se tenha alguma vez distinguido pela verossimilhança, mas agora tudo é levado ao paroxismo, como na primeira seqüência do filme em que o novo Bond (Daniel Craig) persegue implacavelmente um indivíduo no alto de um prédio em construção. A bondgirl é Eva Green, com a produção conseguindo a proeza de enfeiá-la, pelo menos até a parte final. Baseado no primeiro romance 007 de Fleming, Cassino Royale seria o primórdio de James Bond, agente ainda tosco e em formação. Mas logo esse trunfo dramatúrgico é esquecido em proveito de muita ação, bem ao gosto de hoje.

Também é assim para Uma Noite no Museu, em que uma boa idéia inicial – a dos animais empalhados, miniaturas e estátutas de um museu de história natural que ganham vida durante a noite – se vêem submergidas em correrias para lá e para cá. Enfim, o público-alvo é o infanto-juvenil que, pelo que observei na sala, depois de um início reticente, até que curtiu o filme. Inútil dizer que, em meio a lutas e trapalhadas, há o apelo melodramático de rigueur em filme americano. No caso, é o novo vigia (Ben Stiller) que precisa se reabilitar aos olhos do filho. Não sei quem agüenta mais isso, mas deve dar certo pois continua a ser feito.

Já Diamante de Sangue me pareceu um bom filme, porém limitado. Leonardo DiCaprio é o mercenário que acaba se convertendo à boa causa ao ajudar um pai a encontrar seu filho e escapar do inferno (Serra Leoa) com um diamante valioso – que servirá também para a denúncia do tráfico de pedras preciosas em países africanos devastados por guerras civis. Boas cenas, um tom geral de filme-denúncia (mas que não se nega ao espetáculo) e motivado, principalmente, pela má-consciência em relação ao que se passa na África. Quer dizer, motivado por aquela crítica superficial que diz que “todos somos culpados” por nosso consumismo, etc, sem ir ao ponto principal, isto é, a razão pela qual o tal consumismo por pedras preciosas, entre outros bens, é estimulado e porque ele faz parte integrante da regra do jogo do capital. Regra tão bem assimilada pelos próprios grandes estúdios que financiam o filme. Mas querer que cheguem a isso seria um pouco demais.