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Meus dez melhores filmes estrangeiros de 2016

Luiz Zanin Oricchio

30 Dezembro 2016 | 22h14

Aí vão meus escolhidos para dez melhores filmes estrangeiros estreados em 2016 no Brasil. Considerei apenas os que chegaram ao circuito comercial e portanto puderam ser vistos por mais pessoas. Fui fazendo a lista, sem preconceitos ou cotas e, surpreso, me dei conta de algumas coisas muito positivas: boa presença do cinema latino-americano, de documentários e forte participação da Itália na lista final. Para quem andava se queixando da produção peninsular dos últimos anos foi uma boa surpresa ver quatro italianos entre os dez escolhidos. E não houve proteção, não, viu patrícios? A safra é boa mesmo.  

O Cavalo de Turim

O Cavalo de Turim

 

O Cavalo de Turim (Hungria), de Béla Tárr, Ágnes Hranitzky

Inspirado em uma passagem da vida do filósofo Friedrich Nietzsche, esse belíssimo filme do húngaro Béla Tárr mostra, em tom monocromático, o cotidiano monótono de um fazendeiro e sua filha.

 

O Botão de Pérola (Chile), de Patricio Guzmán

Autor da fundamental trilogia Batalha do Chile, o diretor volta ao tema principal de sua obra, os crimes da ditadura de Pinochet, agora relacionando-os ao genocídio dos indígenas do país.

 

Elle (França), de Paul Verhoeven

Extraordinária atuação de Isabelle Huppert como a mulher de negócios que um dia é estuprada em sua casa e resolve o caso por conta própria. Direção em alto nível do holandês, que sempre surpreende e nunca cai no lugar-comum.

 

O Abraço da Serpente (Colômbia), de Ciro Guerra

Um extraordinário filme sobre a colonização e os indígenas na América do Sul, com uma construção fluida e complexa em vários tempos diferentes.

 

Belos Sonhos (Itália), de Marco Bellocchio

Adaptação das memórias do escritor Massimo Gramellini sobre suas complexas relações com a mãe. Bellocchio em grande forma, com domínio absoluto do cinema, numa história comovente que abole a pieguice sem piedade.  

 

Depois da Tempestade (Japão), de Hirokazu Kore-Eda

O diretor ama trabalhar com “personagens imperfeitos”, isto é, iguais a todos nós. Ryota leva uma vida atrapalhada. Tem um filho, é separado da mulher e fonte de preocupação de sua velha mãe. Relações humanas, vistas com toda singeleza e profundidade. Parece muito simples; é apenas límpido.

 

Fogo no Mar (Itália), de Gianfranco Rosi

É um documentário de observação na ilha de Lampedusa, no litoral da Sicília. É nesse litoral que navegam aqueles barcos de refugiados, palco de tragédias sucessivas. O olhar humanista de Rosi dirige-se aos moradores que, indiferentes à frieza da lei europeia, exprimem solidariedade e simpatia por esses refugiados. Não fica nas boas intenções: é grande cinema.

 

Os Campos Voltarão (Itália), de Ermanno Olmi

Olmi inspira-se na obra La Paura (O Medo) de Federico de Roberto, sobre a sua experiência nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial. O filme mescla uma beleza fria, das montanhas nevadas, com a cálida emoção dos combatentes usados como buchas de canhão. Filme antibelicista de primeira, mostrando os irmãos em grande forma para felicidade de todos nós, que amamos o cinema italiano.

 

Julieta (Espanha), de Pedro Almodóvar

Baseado em relatos de Alice Munro, mostra a trajetória da personagem vivida na juventude por Adriana Ugarte e na maturidade por Ema Suárez. A narrativa vai do presente ao passado mostrando a habitual desenvoltura do espanhol no trato do universo feminino, com calor, emoção e boa dose de surpresa. Um filmaço.

 

Loucas de Alegria (Itália), de Paolo Virzì

Duas internas em um hospital psiquiátrico decidem fugir e põem o pé na estrada. Grandes atuações de Valeria Bruni Tedeschi e Micaela Ramazzotti, num filme que tem muito a dizer sobre o autoritarismo psiquiátrico, e o faz com risos, ironia e muita criatividade. Show da maravilhosa Bruni-Tedeschi.