Menino veste azul e menina veste rosa
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Menino veste azul e menina veste rosa

A ministra deve achar que os gêneros vieram perfeitamente definidos e separados pela biologia (por Deus!) e misturá-los só pode ser coisa de gente degenerada. Ou comunistas, ora!

Luiz Zanin Oricchio

03 de janeiro de 2019 | 18h50

Foi o que disse Damares Alves, Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos: a partir de agora, menino veste azul e menina veste rosa. Novos tempos. “Nova era”, ela diz.

Depois Damares explicou que era uma metáfora para combater a “ideologia de gênero”, uma das bestas feras do “novo” governo, ao lado do comunismo (ou socialismo), das escolas (com partido), dos intelectuais, dos professores, dos jornalistas, etc.

A ministra deve achar que os gêneros vieram perfeitamente definidos e separados pela biologia (por Deus!) e misturá-los só pode ser coisa de gente degenerada. Ou comunistas, ora!

Bem, seria o caso de recomendar à ministra que, além da Bíblia, dê uma olhadinha também em Freud, de Três Ensaios para uma Teoria da Sexualidade, ou, quem sabe, em alguns diálogos de Platão datados do século 5 a.C.

É tudo muito engraçado.

Mas não posso me impedir de desconfiar que foi montada uma equipe de comediantes para nos divertir e distrair enquanto o essencial do trabalho sujo está sendo feito pelas nossas costas.

Quando acordarmos pode ser tarde.

Aliás, acho que já é tarde.  

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