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Medidas de auxílio ao antitabagismo

Luiz Zanin Oricchio

13 de abril de 2009 | 16h46

Uma modesta contribuição à cruzada cívica antitabagista de São Paulo – deveríamos tirar de circulação obras que estimulem esse vício antissocial. Por exemplo, me ocorre banir Fumaça Pura, de Cabrera Infante, e Consciência de Zeno, de Ítalo Svevo, livros que podem corromper a juventude e mesmo os mais maduros com sua prosa sutil, envolvente e insidiosa.

Há filmes perniciosos também, como o óbvio Cortina de Fumaça, de Wayne Wang, no qual os personagens vivem tirando baforadas de charutos como se não tivessem nada melhor a fazer. Também deveriam desaparecer das locadoras filmes mais antigos e nicotínicos, em especial os de Rita Hayworth, Laureen Bacall e Humphrey Bogart, contumazes tabagistas que, na tela, sempre se esmeraram em fumar de maneira sensual, como se o tabaco lhes proporcionasse prazeres inimagináveis. Péssimos exemplos, a serem banidos do imaginário cinematográfico sadio que deveremos ter daqui por diante.

Como já tem sido dito que a lei é de difícil cumprimento, faço outra sugestão: criar uma milícia antitabagista auxiliada por cães farejadores. Não será difícil reciclar esses animais (os cães, que fique bem claro), hoje usados na detecção de drogas em aeroportos, para suas novas tarefas.

Para não onerar o Estado em momento tão difícil, essas milícias poderiam ser voluntárias, a exemplo do que foi feito, em outras circunstâncias, na Alemanha de Hitler e na Itália de Mussolini. Sempre existe gente disponível para exercer o papel de fiscalização do alheio, por prazer próprio e sem necessidade de remuneração, sendo que o simples fato de perseguir os outros impunemente já é recompensa suficiente. Com um benefício secundário: é bom ocupar pessoas sedentas de autoridade com um inimigo público facilmente identificável.

Afinal, onde há fumaça há fogo e esses vigilantes voluntários, que em outras circunstâncias poderiam estar perseguindo judeus, comunistas, negros ou ciganos, hoje se contentariam em assediar fumantes. É melhor do que nada.