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Marxismos

Luiz Zanin Oricchio

06 de fevereiro de 2007 | 13h06

2007 é o ano do centenário de Caio Prado Jr. Dos “explicadores de Brasil” clássicos, Caio era o único de formação abertamente marxista. Por isso, será interessante reler sua obra, em especial o incontornável Formação do Brasil Contemporâneo, à luz de uma época que considera o marxismo pouco mais que uma peça de roupa usada. A tendência, claro, será rejeitá-lo como ultrapassado, ao contrário do que acontece com seus colegas de “explicação do Brasil”, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque, mais palatáveis para o pensamento dominante. “Pensamento”, aliás, que nunca se deu ao trabalho de ler Marx para refutá-lo como fez na França um conservador lúcido como Raymond Aron, por exemplo. Nesse sentido, leitura útil, porque equidistante, seria o recém-lançado Nem Marx, nem Contra Marx, do italiano Norberto Bobbio, uma edição da Unesp. Ninguém pode acusar Bobbio de marxista de carteirinha, mas tampouco de antimarxista hidrófobo. Bobbio mantinha diálogo com textos e circunstâncias. Ao longo da vida, foi mudando seus pontos de vista mas não de maneira arbitrária, segundo o mood do momento ou conveniências comerciais. O último artigo do livro tem o título significativo de Convite para que se Releia Marx.

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