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Maradona: mejor que Pelé?

Luiz Zanin Oricchio

26 de outubro de 2006 | 10h14

Fui ontem ver Amando Maradona, de Javier Vasquez (o filme tem uma última sessão dia 30, no Cine Bombril, às 18h20). Gostei, embora a projeção digital faça você se sentir como diante de uma televisão tamanho-família. Como amante do futebol-arte, procuro ver tudo que posso relacionado a Maradona, certamente um dos jogadores que melhor trataram a bola desde que ela começou a rolar pelos campos da vida.

Curiosamente, Vasquez opta por não mostrar um grande número de jogadas do craque, mas centra atenção em dois aspectos: 1) a vida agitada de alguém de alma rebelde e hábitos talvez poucos saudáveis. 2) o fanatismo que Maradona desperta por onde passou, sendo inclusive objeto de culto de uma certa “Igreja Maradoniana” na Argentina. Tudo isso é curioso e a devoção de fãs por seu ídolo, quando levada ao paroxismo, tem tanto de sublime quanto de ridículo. Enfim, a admiração sem limites leva a isso.

O filme também revela uma certa insegurança de fã ao comparar Maradona por diversas vezes a Pelé. Claro, para reafirmar sempre que Maradona é deus, “mejor del mundo” e, portanto, “mejor que Pelé”. Para além de expressar a ignorância mais elementar dos fatos, esse tipo de preocupação denota pelo menos a sombra de uma dúvida na cabeça de fãs e do próprio diretor. Afinal, nunca vi ninguém por aqui ficar afirmando sem parar que Pelé foi maior que Maradona, assim como não é preciso viver dizendo que a grama é verde e a bola é redonda, duas verdades óbvias por si mesmas.

Tirando essa pequena bobagem, o filme é interessante e pode ser visto com prazer por quem gosta de futebol.

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