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Manoel de Oliveira, eterno

Luiz Zanin Oricchio

05 de setembro de 2007 | 13h19

Em compensação (e sempre há uma compensação) vi um Manoel de Oliveira dos mais interessantes – Cristóvão Colombo, o Enigma. A tese é de que Colombo teria nascido em Cuba, cidade do Alentejo e, por isso, deu esse nome à maior ilha do Caribe, aquela que mais tarde teria Fidel e seu irmão, e se transformaria em irritação (e obsessão) constante dos “liberais” brasileiros, muito mais preocupados com a democracia alheia do que com a própria. Mas esta é outra história.

A de Manoel é discutir essa hipótese do Colombo português de maneira ficcional. E isso inclui transformar-se em ator aos 99 anos de idade. O interessante do filme (que não é uma obra-prima como o anterior, Belle Toujours) é o manejo do tempo pelo veterano cineasta. O filme dura 70 minutos e consegue discutir um assunto em profundidade. Os tempos são lentos, os planos duram o que precisam durar e ele promove a síntese do conjunto através de elipses poderosas. Grande Manoel, próximo do centenário e com a mente tão jovem e aberta. E, no Brasil, tantos velhos na faixa dos 20 ou 30 anos. Isso é mais triste que um fado da Amália Rodrigues.

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