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Mais opiniões sobre a extinção do MinC e o novo secretário da Cultura

Luiz Zanin Oricchio

19 de maio de 2016 | 18h54

 

Ontem, mais uma vez, ajudei o jornal num tema de política cultural. Desta vez, tratava-se de repercutir a escolha do novo secretário da Cultura, Marcelo Calero. Deu para ver que pouca gente no meio cultural o conhecia. Além disso, a classe artística parece preocupada mesmo é com a extinção do MinC, que soa como regressão. Tudo faz parte de um regime visto como ilegítimo pela maioria das pessoas da área cultural – sim, eu sei, a Regina Duarte, o Roger e o Lobão são exceções. Abaixo, os depoimentos colhidos, em estado mais ou menos bruto. Transcrevo-os aqui porque nem todos foram publicados e devo respeito às minhas fontes, que gastaram seu tempo para me atender, tarde da noite. A todos e a todas, muito obrigado.

 


“Eu não conheço ele , não tenho o que achar – mas principalmente não reconheço esse governo – não reconheço sua legitimidade e não sei o que pode vir daí.”

Anna Muylaert, diretora de Durval Discos e Que Horas Ela Volta?

 

“Não sei o que dizer, porque está tudo absolutamente errado.A  começar pelo conspirador Temer e seu ministério de investigados no Lava Jato…O problema não é a indicação do Celero, é anterior, muito mais complexa. É como a Cultura é vista por esse governo. Aceitar ser Secretário numa situação dessas, significa alguma coisa…”

Murilo Salles, diretor de Como Nascem os Anjos e O Fim e os Meios

“Não conheço Calero, mas considero o fato do Minc virar um apêndice do ministério da Educação um retrocesso de mais de trinta anos. Da mesma forma,lamento profundamente a fusão entre os ministérios da Ciência e Tecnologia e o ministério das Comunicações.  Esse governo interino revela o seu absoluto desinteresse por áreas que são fundamentais para um país que se quer livre e independente”.

Walter Salles, diretor de Central do Brasil e Linha de Passe

“Eu não o conheço. Mas, pra mim, a avaliação desse secretário de Cultura não é a questão principal no momento. O que importa é deixar claro que eu não reconheço essa secretaria, assim como não reconheço o Governo Temer. Essa gente não me representa e não representa grande parte da nossa categoria. Queremos de volta o Ministério da Cultura. A luta continua.”

Emilia Silveira, diretora de Setenta e Galeria F.

“NÃO CONHEÇO A FIGURA, SEI APENAS O QUE SE TEM DIVULGADO NA IMPRENSA OFICIAL: QUE FOI SECRETÁRIO DA ÁREA NO RIO, O QUE NÃO QUER DIZER NADA. DIZ MUITO MAIS O FATO DE TER SIDO ACOLHIDO DEPOIS DE TANTAS NEGATIVAS DE PESSOAS QUE CERTAMENTE TÊM MAIS SENSO SOBRE O QUE SEJA OCUPAR UM CARGO NUM GOVERNO GOLPISTA E TÃO REJEITADO PELA CLASSE QUE LIDA COM CULTURA E ARTES. DE QUALQUER FORMA CONTINUO TORCENDO PRA QUE ESSA TRAPALHADA TODA TERMINE EM 6 MESES E QUE JUCA FERREIRA POSSA VOLTAR A OCUPAR O CARGO QUE LHE FOI USURPADO.”

Edgard Navarro, diretor de Super-Outro e Eu me Lembro

“Só agora eu vi a sua solicitação. Não sei se poderia contribuir. Eu não faço a menor ideia quem é esse cidadão Marcelo Celero. Soube ontem na mesa de um bar que ele foi Secretário de Cultura do Rio de Janeiro e trabalhou em embaixadas. Tirando isso, não sei de algo mais que possa contribuir. Será que ele assistiu Mad Max? Se ao menos fosse Marcelo Serrado eu poderia falar com mais domínio da causa. Desarticular o Minc e todas os seus avanços e conquistas é o triunfo da vingança. Já nomear Mendonça Filho para o MEC é o triunfo da ignorância. Mais o que esperar de um governo golpista parido na conspiração da ilegitimidade. Infelizmente, coerência também destrói.”

Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola

“Um bom comentário exige pesquisar e refletir quem ele é, o que fez, que opiniões manifestou em sua curta carreira como Secretário de Cultura do Rio, e o que significaria para o presidente interino, depois de acabar com o Ministério da Cultura, colocar um jovem de 33 anos, com aparente pouca experiência na área, em um cargo tão vital para um país que a sexta economia do mundo. Fico tentado a concluir que, mais do que arranjar um nome `as pressas, depois de cinco tentativas fracassadas de colocar uma mulher, esta escolha demonstra que podemos estar diante mesmo de uma postura colonizada e retrógrada de um governo ilegítimo que acredita que gerir a cultura de um país imenso, diverso e complexo, é mesmo uma atividade de pouca importância.”

Joel Zito Araújo, diretor de As Filhas do Vento e A Negação do Brasil

“A situação toda é surreal e esdrúxula mas revela o escárnio da nova-velha elite pela cultura. Primeiro tentam em vão uma mulher, de preferência negra para matar dois coelhos com uma só cajadada. Depois escolhem uma pessoa desconhecida do meio, muito jovem, sem experiência de fundo sobre o modus operandi da produção das áreas artísticas, para gerir um setor de enorme complexidade e diversidade, que ainda tem como agravante estar em chamas. Não conheço a pessoa, nem duvido de sua capacidade profissional, mas ele vai precisar de muita inteligência, humildade e magnitude para fazer avançar os pleitos da industria cultural. O momento agora é de pensar grande.”

Toni Venturi, diretor de O Velho e Cabra Cega