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Mais Globo de Ouro

Luiz Zanin Oricchio

18 de janeiro de 2011 | 10h12

Abaixo, a minha matéria sobre o Globo de Ouro para o Caderno 2.

Com uma safra de cinema que não é das melhores, o Globo de Ouro escolheu o que era possível e consagrou Rede Social com quatro estatuetas: melhor filme, roteiro, direção (David Fincher) e trilha sonora. Se isso é prenúncio para o Oscar, veremos, mas o fato é que a narrativa da criação do site de relacionamentos Facebook sai fortalecida para a premiação da Academia de Hollywood. É, de fato, um filme interessante que, pela trajetória de um nerd muito inteligente e com problemas de relacionamento, acaba acertando em cheio no vazio contemporâneo. O excesso de comunicação às vezes deixa as pessoas mais isoladas do que nunca, diz o filme. E esse vazio dá um dinheirão. Era uma premiação esperada, mas talvez não com esta intensidade.

Assim como eram esperadas outras vitórias, como o troféu de melhor animação para Toy Story 3 que, de fato, é maravilhoso. A pena é que tinha como concorrente outro filme excepcional, O Mágico, de Sylvain Chomet, sobre um roteiro de Jacques Tati, e que ficou pelo caminho.

Também interessante foi a premiação de O Vencedor, filme de boxe de David O. Russell, com os troféus de coadjuvantes para Christian Bale e Mellisa Leo – comoventes na exposição do submundo desse esporte tão brutal quanto empolgante. Bale faz o quase campeão derrotado pelo vício do crack e que se empenha em dar ao irmão a chance que ele não teve.

Minhas Mães e Meu Pai era também o favorito para melhor filme comédia ou musical (ao contrário do Oscar, o Globo de Ouro faz a distinção entre gêneros). Rendeu também a estatueta de melhor atriz para grande dame Annette Bening.

Na categoria melhor filme estrangeiro venceu o dinamarquês
Em um Mundo Melhor, de Suzanne Blier, bonito e bem intencionado. Talvez o prêmio coubesse melhor a Biultiful, do mexicano Alejandro González Iñarritú, mas deve ter sido considerado duro demais para merecê-lo.

Algumas decisões surpreenderam. Como é o caso de Paul Giamatti pelo papel principal em Barney’s Version – que no Brasil irá se chamar Minha Versão do Amor. Giamatti é simpático e depois patético como Barney, o anti-herói de um best-seller de Mordecai Richler.

O superestimado Cisne Negro, de Darren Aronofsky, deu o troféu de atriz para Natalie Portman como a bailarina que, sob um diretor tirânico (Vincent Cassel) precisa enfrentar seu “lado obscuro” para se completar como artista. Não merecia mais do que isso. Natalie saudou sua partner no filme, chamando-a de Mila “sweet lips” Kunis. Quem vir o filme compreenderá a alusão aos doces lábios da moça. Pequenas transgressões de Hollywood.

O britânico O Discurso do Rei, o concorrente com maior número indicações (sete), emplacou apenas o prêmio de melhor ator para Colin Firth, que era tido como pule de dez, barbada absoluta na análise de especialistas em premiações americanas. Burlesque também venceu em apenas uma categoria – melhor canção original.

O grande derrotado foi A Origem (Inception), de Christopher Nolan, indicado em quatro categorias sem emplacar nenhuma. O colégio eleitoral deve ter buscado alguma substância debaixo de todo aquele glacê e não encontrou nada.

Se houve alguma obviedade em toda a premiação, O Globo de Ouro se redimiu com uma ótima surpresa: Carlos, de Olivier Assayas, venceu na categoria de melhor minissérie ou telefilme. Em cinco horas e meia frenéticas, descreve a trajetória de Carlos, o Chacal, em memorável interpretação do venezuelano Edgard Ramírez, que merecia a estatueta de ator (perdeu para Al Pacino, o que não é vergonha para ninguém). Telefilme ou não, Carlos é das melhores obras que pintaram nas telas nos últimos anos. Passou na Mostra de São Paulo. Precisa chegar ao circuito.

Ou, pelo menos, à TV, em sua versão integral. Quando toda poeira baixar, esse filme fascinante sobre a política de extremos do século 20 permanecerá.

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