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Mais destaques da mostra

Luiz Zanin Oricchio

20 de outubro de 2006 | 14h06

Gente, é apenas o primeiro dia da maratona e já tem um monte daqueles filmes que se podem chamar de imperdíveis. No entanto, não se estresse porque eles serão reprisados em outros dias e horários – a Mostra pode repetir um filme até três vezes e não mais do que isso. Aí vão as minhas dicas.

Babel, de Alejandro Gonzáles Iñarritu (Arteplex 2, 21h30). É o fecho de uma trilogia que começa com Amores Brutos, prossegue com 21 Gramas e chega a este Babel, que costura três histórias em lugares diferentes. O diretor mexicano gosta de entrelaçar narrativas e coloca nelas toda a intensidade que fez dele um cult à primeira vista. Talvez tenha um pouco de música demais e mire o Oscar com entusiasmo não disfarçado. Mas é uma pancada – no bom sentido.

Volver, de Pedro Almodóvar (Cine Bombril 1, 23h10). Mais um belo trabalho de Dom Pedro, com seu universo feminino e corrosivo em relação à moral tradicional. Como o Brasil anda vivendo um momento muito moralista (o que está acontecendo?) o filme, além de lindo, também pode ser útil a título de reflexão. Veja mais sobre o filme neste blog.

O Céu de Suely, de Karim Aïnouz (Espaço Unibanco 1, 16h10). Karim, que já havia feito o belo Madame Satã, apresenta aqui o personagem inesquecível de Suely, interpretado por Hermila Guedes. Suely é a garota que pretende realizar seu sonho a (quase) qualquer preço. Também já escrevi sobre ele no blog.

A Comédia do Poder, de Claude Chabrol (Espaço Unibanco 2, 17h30). Esse não dá para perder, mesmo. Mostra como justiça e corrupção nem sempre podem ser separados de maneira muito clara. Com a maestria desse grande cineasta e uma interpretação de aplauso de Isabelle Huppert. Também falo uma coisinha a mais sobre ele no blog. Dê uma consultada, se for o caso.

Sonhos de Peixe, de Kirill Mikhanovsky (Cinesesc, 21h10). Tem gente que morre por este mix de documentário e ficção. Eu não caí de quatro. Achei meio artificial a relação do cineasta russo com seu ambiente, um vilarejo de pescadores no Nordeste. Apesar disso, o filme é interessante porque revela uma tendência – o relativo apagamento das fronteiras entre documentário e ficção, tão bem realizado por outro filme da Mostra, Serras da Desordem, de Andrea Tonacci.

Os Estados Unidos contra John Lennon, de David Leaf e John Scheinfeld (Espaço Unibanco 1, 23h40). Eu vi esse filme no Festival de Veneza e gostei. Achei honesto e me informou muita coisa a respeito da perseguição sofrida por Lennon quando morava nos Estados Unidos e se opunha à Guerra do Vietnã. Meu amigo Jotabê Medeiros foi vê-lo na festa de abertura da Mostra e não curtiu. Disse que tudo era já sabido e que o filme é uma hagiografia, retrata um Lennon sem defeitos ou contradições. Pode ser. Estou até afim de rever o documentário para reavaliar minha opinião, se for o caso. Dê uma olhada. A não ser que você já seja um especialista em Lennon, garanto que, pelo menos, vai sair do cinema mais informado do que quando entrou.

The Wind that Shakes the Barley, de Ken Loach (Arteplex 1, 19h10). Belo filme do mais importante cineasta político contemporâneo. Loach vai à origem da luta pela libertação da Irlanda para falar de todos os movimentos pela emancipação política. Muito contemporâneo, apesar de ambientado nos anos 20. Também está no blog.

Os Infiltrados, de Martin Scorsese (Morumbi 3, 21h). Mais uma vez o mestre Scorsese tenta escavar nas raízes da violência que, no seu entender, fundam os Estados Unidos. A história é a de informantes infiltrados tanto entre os bandidos como entre os policiais. Também aqui, os limites entre lei e corrupção não parecem muito claros. Há quem não goste. Quanto mais eu penso nele, mais brilhante me parece.

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