Mais algumas palavras sobre o FAM 2019
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Mais algumas palavras sobre o FAM 2019

Brasil emplacou os prêmios de melhor ficção (Pacarrete) e melhor documentário (Espero Tua Re(volta) no Festival do Mercosul, realizado em Florianópolis

Luiz Zanin Oricchio

03 de outubro de 2019 | 19h23

A atriz Marcélia Cartaxo agradece o prêmio recebido em Florianópolis

 

FLORIANÓPOLIS – Pacarrete, de Allan Deberton, venceu de novo, mas desta vez numa competição internacional, com concorrentes latino-americanos. 

Disputou com dois argentinos (Yo, Niña e El Rocío), um equatoriano (Cenizas), um colombiano (Niña Errante) e um boliviano (El Río). 

Submeteu-se a um júri internacional, formado pela atriz argentina Antonella Costa, o curador chileno do Festival de Viña del Mar, Claudio Navarro Pereira, e o crítico brasileiro José Geraldo Couto. 

No final da sessão, o filme foi aplaudido de pé e a atriz Marcélia Cartaxo, novamente ovacionada. Pacarrete levou também o troféu do público de Florianópolis. Foi um novo batismo de uma carreira que começou pelos oito Kikitos conquistados no Festival de Gramado e não se sabe ainda até onde vai parar. Vai longe, se não sucumbir à inveja alheia e à onda contrária que se forma sempre que alguma coisa ou alguém vai além do esperado e do consentido. “O Brasil não tolera o sucesso”, dizia Tom Jobim. 

Passeio de Pacarrete à parte, o FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul – apresentou outros pontos dignos de nota na edição deste ano. Um deles, a vitória brasileira também entre os documentários, com o empolgante Espero Tua Re(volta), de Eliza Capai, com imagens poderosas sobre a luta do estudantes secundaristas em defesa de suas escolas. O filme põe em evidência três alunos que se destacaram nessa militância, Marcela de Jesus, Nayara Souza e Lucas “Koka” Penteado. Mas, no todo, trata-se de filme coral, que trabalha mais com ideias coletivas que com brilhos individuais. 

Já o público escolheu como seu documentário favorito o chileno Zurita, de Alejandra Carmona. Ela recria a trajetória do poeta Raúl Zurita, preso e torturado pela ditadura Pinochet. Com tal temática, não deixa de ser surpreendente e animadora a escolha do público catarinense. 

O vencedor na categoria curta-metragem foi Ausência, do colombiano Andrés Tudela. A animação brasileira Guaxuma, de Nara Normande, levou o prêmio de melhor filme infanto-juvenil. É mesmo uma beleza de trabalho, feito de maneira artesanal e que já contabiliza um número impressionante de prêmios no currículo. 

Algumas iniciativas interessantes no FAM deste ano deram brilho extra ao festival. Já me referi em texto anterior à mostra WIP (Work in Progress) que apresentou ao público seis filmes ainda inacabados. Após a sessão eram discutidos com a plateia, sob a coordenação de um instituto especializado na recepção pública de obras audiovisuais. A mostra é competitiva e venceram dois colombianos, justamente os que eu havia comentado – o documentário El Fin Justifica los Medios, de Juan Jacobo del Castillo, e a ficção El Arbol Rojo, de Joan Gómez Endara. 

Houve também o Rally Universitário, com cinco curtas produzidos ao longo do festival nos workshops comandados por vários professores (Cavi Borges, João Godoy e Ivan Molina, entre outros). Os curtas foram exibidos na sessão de encerramento e, feitos de bate-pronto, apresentaram bom nível. Venceu mesmo o melhor deles, O Grande Dia, terna e surpreendente história de uma jovem que toma conta da mãe com Alzheimer.   

Essas novidades encorpam e dão força a um evento que este ano apresentou nada menos que 121 filmes, de 20 países diferentes. 

Abaixo, a premiação completa, agora agrupando os prêmios por produção. 

 

FAM 2019 — VENCEDORES

 

— MOSTRA DE LONGAS FICÇÕES MercoSul:

 

. “Pacarrete” (Brasil) — melhor filme pelo júri oficial e pelo júri popular

 

. “Yo Niña”(Argentina): Prêmio Recam de Aquisição e menção honrosa à atriz-mirim Huenu Paz Paredes

 

— MOSTRA DE LONGAS DOCUMENTAIS MercoSul:

 

. “Espero Tua (Re)Volta”(Brasil) – melhor filme pelo júri oficial

 

. “Zurita”, de Alejandra Carmona (Chile) – melhor filme pelo júri popular

 

— MOSTRA DE CURTAS (MercoSul e Catarinense):

 

. “Ausência”, de Andrés Tudela (Colômbia)- Grande Prêmio FAM, melhor ficção, melhor atriz (Marina Corredor), melhor roteiro (Andrés Tudela)

 

. “Aqueles Dois”, de Emerson Maranhão (Brasil) – melhor documentário

 

. “Apnéia”, de Carol Sakura e Walkir Fernandes (Brasil) – melhor animação

 

. “Nossa Terra”, de Samuel Moreira (Brasil) – melhor curta catarinense

 

. “Nas Curvas da Estrada”, de Viviane Mayumi – melhor filme catarinense pelo júri popular

 

. “A Volta Para Casa”, de Diego Freitas (Brasil) – Júri Popular, melhor ator (Lima Duarte), trilha sonora (Ed Cortez)

 

. “Kiriri”(Paraguai) – melhor direção (Miguel Aguero), fotografia (Angel Molina)

 

. “Oyentes”, de Fabricio Centorbi (Argentina) – melhor montagem (Café 80)

 

. “Cabrita Sin Cuernos”(Argentina ) – melhor direção de arte (Aureliano Gentili)

 

— MOSTRA INFANTO-JUVENIL:

 

. “Guaxuma”, de Nara Normande (Brasil) – melhor filme infanto-juvenil pelo júri oficial e pelo júri popular

 

. “As Quatro Estações”, de Lícia Brancher (Brasil) – menção honrosa do júri oficial

 

— MOSTRA DE VIDEOCLIPES:

 

. “Tenemos Voz – La Yegros Ft. Soom T” (Argentina) “, de Juan Manuel Costa – melhor videoclip

 

. “Ore Kunhangue-Mbya Resiste”, de Luiz Fernando Machado – Júri Popular

 

. “Prá Que Ser Tão Normal – Julio Secchin”(Brasil) — de Romã – menção honrosa

 

— RALLY UNIVERSITÁRIO FAM:

 

. “O Grande Dia”- Melhor filme do projeto-maratona Rally Universitário

 

— WORK IN PROGRESS:

 

. “El Arbol Rojo”, de Joan Gómes Endara (Colômbia) – melhor filme em finalização

 

. “El Fin Justifica Justifica los Médios”, de Juan Jacobo del Castillo (Colômbia)

 

— PRÊMIO ECM (Encontro de Coprodução MercoSul — Consultoria):

 

. “Kokue”(Paraguai)

 

. “Las Hojas del Poder” (Colômbia)

 

 

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