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Lula (enfim) no cinema

Luiz Zanin Oricchio

02 de janeiro de 2010 | 23h44

Desde ontem Lula, o Filho do Brasil está em cartaz. Precedido de som, fúria e amplas matérias em suas pré-estréias, entrou discretamente em circuito comercial. Compreende-se. Muitas vezes a imprensa faz um tremendo alarde de alguma coisa e, quando ela de fato acontece, silencia. Ou registra num canto de página.

Com Lula, o filme, aconteceu mais ou menos isso. A produção foi acompanhada desde o início com pinça e lupa, para verificar se não haveria dinheiro público envolvido. Não havendo, procurou-se pelas empresas patrocinadoras e seus possíveis vínculos com o governo. Em seguida, editorializou-se a cobertura, conjeturando se o filme serviria ao terceiro mandato, ou, em falta deste, à eleição da sucessora. Motivou análises sérias, sisudas,indignadas ou jocosas, umas equilibradas, outras nem tanto, e algumas paranóicas mesmo, dignas de internação. O filme serviu também como justificativa a mais de um artigo torpe, um entre eles um caso de suicídio ético destinado desde já a uma hipotética história teratológica do jornalismo pátrio.

Em seguida, veio o acidente com o diretor Fábio Barreto e, talvez em parte por isso (o Brasil é um país “cordial”), as críticas prévias arrefeceram.

Agora o filme é público. E, como se costuma dizer, ao público pertence a última palavra, no fundo a única que vale e fica. Será que Lula, o filme, irá emocionar? Que tipo de plateia irá se identificar com o protagonista e verter lágrimas com a sua saga? Que espécie de público lhe será indiferente? E tão indiferente que sequer se dará ao trabalho de ir ao cinema para conferir? Lula, o presidente, sobe ainda mais nas pesquisas sob o efeito de Lula, o filme,como teme a oposição?

Estou curioso. Já vi o filme duas vezes, uma em Brasília, outra em João Pessoa, ambas em sessões para convidados, portanto atípicas. Talvez assista de novo, com o público normal, só para conferir a reação.

Talvez Lula seja o caso único de obra que provoca polêmica antes de conhecida e, depois de vista, cai no vazio. É apenas uma hipótese. A conferir.

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