Lope de Vega, por Andrucha
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Lope de Vega, por Andrucha

Luiz Zanin Oricchio

04 de março de 2011 | 10h00

Ecos de Espanha chegavam a Veneza quando Lope estreou no festival italiano. Falavam de certa frieza de recepção e uma colega jornalista confidenciou que um dos motivos era o ator que interpretava Félix Lope de Vega (1562-1635), Alberto Ammann que, argentino, “brigava com o sotaque o tempo todo”.

Essa sutileza de acentos, muitos de nós nãoperceberemos. Ou, percebendo, não nos fará o mesmo efeito provocado nos nativos da Espanha e que tiveram dificuldade de ouvir na variante argentina, ainda que trabalhosamente disfarçada, a voz de uma de suas glórias literárias. Para nós não faz tanta diferença. Mesmo porque Ammann é bom ator. Pelo menos não compromete na interpretação do papel.

Pode-se supor que Lope seja um projeto multicultural. Tem protagonista argentino, duas atrizes espanholas de nome, Leonor Watling e Pilar López de Ayala, diretor e parte do elenco brasileiros: Andrucha Waddington e mais Sonia Braga e Selton Mello. Essa mistura serviria, talvez, para quebrar a solenidade que em geral assombra os épicos.

O problema é outro. Lope de Vega foi um gigante. Atribuem-lhe centenas de peças, outro tanto de poemas e dezenas filhos bastardos. Mulherengo e brigão, teria enfrentado a inquisição até se tornar ele próprio inquisidor. Viveu mil vidas, mas essa exuberância é o que falta na tela. Quer dizer, ela tenta estar lá, na trama, que briga com a linguagem acadêmica da mesma maneira que o sotaque portenho luta contra o de Castela.

São batalhas perdidas. Embora o filme seja correto e muito benfeito, não empolga jamais. Falta-lhe paixão.

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