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Livros e sebos

Luiz Zanin Oricchio

11 Março 2007 | 23h07

Amigos, hoje durmo no Guarujá, amanhã se der praia eu faço uma caminhada e depois volto para meu retiro na Serra do Japi. Para me recuperar dos excessos cometidos no fim de semana. Purgar pecados. E voltar aos meus livros. Falando neles, uma leitora-comentarista me pergunta por que não falo dos sebos, que estão desaparecendo. Ora, por que não? Primeiro, não sei se estão desaparecendo. Alguns dos sebos tradicionais, aqueles do centro de São Paulo ainda existem, que eu saiba. Deixei de freqüentá-los há muito, mas sei, por amigos bibliófilos, que eles continuam lá. E outro dia fui apresentado a uma modalidade que desconhecia – o sebo virtual. Procurei pela internet um livro de que precisava e estava esgotado. Encontrei na pesquisa, mas depois me mandaram um e-mail dizendo que não estava mais disponível. Em todo caso, esse recurso de busca me parece dos mais interessantes.

Agora, o problema dos livros é muito grave no Brasil. Qualquer autor sabe disso: quando ele pensa que venceu a luta ao conseguir ser publicado, percebe que o desafio agora passou a ser a distribuição. A rede de livrarias simplesmente é muito reduzida neste país. E as grandes lojas dão destaque aos lançamentos mais badalados. Quem for pequeno que se vire. Tenho um pouco de experiência nessa área, pois lancei uns livrinhos por aí e constatei que tiveram carreira menor do que poderiam. Em alguns casos, dei uma de camelô. Enfiava os livros na mala e eu mesmo os levava aos locais de lançamentos, várias cidades do Nordeste ou do Centro-Oeste, por exemplo. Enfim, como livro não dá dinheiro mesmo, o mínimo que podemos desejar é que sejam lidos.

São problemas que todos vocês conhecem, sem dúvida. As tiragens são mínimas (3 mil exemplares é o padrão) e, também por isso, o preço é alto. Dessa maneira se elitiza a leitura, o que é uma pena. Por paradoxo, dezenas e dezenas de títulos são lançados a cada mês, sem que eu consiga entender como encontram mercado. As grandes editoras dominam esse mercado, mas curiosamente têm surgido várias pequenas editoras, constituídas com capital modesto. Às vezes lançam obras importantes e então se encontram diante do desafio de sempre – a distribuição. Porque não adianta publicar bons livros se você não tem pontos de vendas para eles. E dessa maneira o círculo se fecha.

Por isso que tudo que pudermos fazer pelos livros no Brasil – nós que acreditamos na função civilizadora da leitura – ainda será pouco.