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Littell, o novo enfant terrible

Luiz Zanin Oricchio

07 Novembro 2006 | 16h13

Graças a Eliane, em visita a este blog, fico sabendo que Jonathan Littell, ganhou o Gouncourt deste ano, o mais importante prêmio literário da França. Coincidências da vida. Respondo ao comentário, fecho o computador, vou almoçar. Levo comigo as revistas francesas que acabo de receber e começo a folheá-las. Logo de cara, na L’Express encontro um grande perfil de Littell, definido como “a figura literária do ano”. E por quê? Por diversos motivos. Seu romance Les Bienveillantes (algo como As Bondosas) é um tijolo de 912 páginas. Tem por “herói” um oficial da SS, as facções paramilitares nazistas, criadas por Hitler, em pessoa. Segundo a revista, não se trata de leitura fácil nem digestiva. É texto elaborado, difícil, exigente com o leitor. Apesar de tudo isso, e num tempo em que apenas o superficial faz sucesso, o romance tornou-se um best seller. A Gallimmard, sua editora, teve de realocar papel destinado a Harry Potter para dar conta das encomendas. Já vendeu mais de 250 mil exemplares na França.

Há mais: Littell tem nacionalidade americana (é filho de americano), apesar de ter sido criado na França. Poderia ter escrito seu livro em inglês, a “língua universal”, mas o fez em francês. Tem 39 anos, não gosta de dar entrevistas, mas também não se esconde como bicho e nem quer dar uma de Greta Garbo. Enfim, é o fenômeno literário da estação. Ganhou o Goncourt, diz que não gosta de prêmios mas preferiu não recusá-lo, para não ter problemas. Precisamos urgentemente saber melhor quem é. E lê-lo, o que é o mais importante.