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Líbano, filme israelense, vence o Festival de Veneza

Luiz Zanin Oricchio

12 de setembro de 2009 | 16h46

Vai para Israel o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Líbano, de Samuel Maoz, foi considerado o melhor filme por um júri presidido pelo diretor de Taiwan, Ang Lee. Líbano era mesmo tido como o favorito numa disputa no entanto equilibrada, e talvez outros dois ou três filmes poderiam ter sido escolhidos como os melhores. Em todo caso, o Leão fica em boas mãos, e vai para um filme contruído com poucos elementos. Para descrever o horror da guerra, ele é ambientado quase exclusivamente no interior de um tanque, que avança por território Libanês levando quatro soldados jovens. Maoz, que é veterano da guerra do Yom Kippur, disse que “a ideia era revelar o real bruto da guerra, limpo dos clichês com que costumam retratá-la quem não a conhece.” Fazêr-lo funcionou como um exorcismo ou uma terapia para sua experiência traumática, analisa o diretor. É seu primeiro filme. No entanto, na coletiva após a premiação, o diretor foi contestado por uma jornalista libanesa, que tachou o filme de “propaganda pró-Israel, e que vê só um lado da guerra, o dos soldados israelenses”. Maoz respondeu que era o lado em que tinha vivido aquela experiência. Ou seja: polêmica à vista.

O Leão de Prata ficou com o iraniano Zanan Bedoone Mardan, que pode ser traduzido como Mulheres sem Homens e recua aos anos 50 para mostrar que a dura realidade da mulher iraniana tem raízes profundas. O Prêmio Especial do Júri foi para o divertido Soul Kitchen, do alemão de origem turca Fatih Akin, história de um rapaz que mantém um restaurante charmoso e precisa conservá-lo diante de muitas dificuldades, inclusive a de um irmão presidiário que sai em liberdade condicional. “As comédias são mais difíceis de fazer do que os dramas”, disse Akin após a premiação.

O prêmio de melhor ator foi para Colin Firth, em A Single Man, drama dirigido pelo estilista Tom Ford em sua primeira experiência no cinema. O filme dividiu opiniões entre os que o consideraram emocionantes e os que viram um exerício meio fútil de estilo. Mas o trabalho de Firth ficou acima de discussões.

Mais contestado foi o prêmio de melhor atriz, para Ksenia Rappoport em La Doppia Ora, um dos quatro filmes italianos em concurso. A Itália levou também o prêmio de revelação com Jasmine Trinca, em Il Grande Sogno, de Michele Placido, que evoca o ano rebelde de 1968 na Itália.

As outras premiações podem ser consideradas normais, como a Osella para melhor contribuição técnica para Sylvie Olivé pela cenografia de Mr. Nobody; e a Osella de melhor roteiro para Todd Solondz de Life During Wartime.

Há algumas ausências na premiação, a principal delas, o impactante Lola, do filipino Brillante Mendoza, Lola, que quer dizer “avó”, conta a história dramática de duas senhoras de idade que, além da pobrez, têm um ponto em comum. São unidas por um crime, que o neto de uma delas cometeu e o neto de outra foi a vítima. A originalidade e o impacto mereciam uma lembrança.

Por último, cabe lembrar que os brasileiros Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo e Insolação, que haviam participado da mostra Horizontes (Orizzonti) não foram premiados.

Prêmios Oficiais

Veneza 66 (Competição principal)

Leão de Ouro para melhor filme: Líbano, de Samuel Maoz (Israel)
Leão de Prata para melhor direção: Shirin Neshat, de Zanan Bedoone Mardan (Irã)
Prêmio Especial do Júri: Soul Kitchen, de Fatih Akin (Alemanha)
Coppa Volpi para melhor ator: Colin Firth em A Single Man (EUA)
Coppa Volpi para melhor atriz: Ksenia Rappoport em La Doppia Ora
Prêmio Marcello Mastroianni para ator ou atriz revelação: Jasmine Trinca em Il Grande Sogno
Osella para melhor contribuição técnica: Sylvie Olivé pela cenografia de Mr. Nobody
Osella para melhor roteiro: Todd Solondz de Life During Wartime

Mostra Orizzonti

Prêmio Orizzonti: Engkwentro, de Pepe Diokno (Filipinas)
Prêmio Orizzonti para melhor documentário: 1428, de Du Haibin (China)
Menção especial: The Man’s Woman and Other Stories, de Amit Dutta (Índia)

Prêmio Luigi de Laurentiis para Opera Prima (primeiro filme): Engkwentro, de Pepe Diokno (Filipinas)

Prêmio Controcampo italiano:
Cosmonauta, de Suzanna Nicchiarielli
Menção especial: Negli Occhi, de Daniele Anzellotti e Francesco del Bosco

Corto Cortissimo
Leão para o melhor curta: Eersgeborene (First Born), de Etienne Kallos (África do Sul/EUA)
Candidatura Mostra di Venezia: indicação para os European Film Awards: Sinner, de Meni Philip (Israel)
Menção especial: Felicitá, de Salomé Aleksi (Geórgia)

Prêmio Persol 3-D para o melhor filme 3-D do ano: The Hole, de Joe Dante

Especiais:
Leão de Ouro pela carreira: John Lasseter e os diretores da Pixar
Jaeger-Le Coultre Glory to the Filmmaker Award: Sylvester Stallone

Júri da mostra principal: presidente: Ang Lee, Sandrine Bonnaire, Joe Dante, Sergei Bodrov, Liliana Cavani, Anurag Kashyap, Luciano Ligabue

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