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Leitura: a força de Monteiro Lobato

Luiz Zanin Oricchio

07 de janeiro de 2008 | 19h47

Na edição de sábado, o Caderno 2 deu uma ótima matéria sobre o hábito da leitura. Na verdade, um texto de fundo alarmante, que constata a queda em nível mundial de interesse pelos livros. A autora se pergunta o que pode criar, em uma pessoa, o hábito de ler. E a resposta é a seguinte: um leitor se forma quando cai em suas mãos um livro que o apaixona, que se torna inesquecível. Esse livro-chave é como a porta de entrada para todos os outros livros da sua vida. É preciso que ele se apaixone uma vez para que o seu coração se torne aberto a novos amores.

É isso aí. Para complemento do artigo, o editor do Caderno 2, Dib Carneiro Neto, teve a excelente idéia de submeter várias pessoas conhecidas a um questionário que constava de uma única pergunta, formulada mais ou menos assim: “Qual foi, para você, esse livro-chave, que o seduziu a ponto de torná-lo um leitor para toda a vida?” As respostas, claro, foram as mais variadas, mas o que me tocou foi uma talvez inesperada convergência em torno de Monteiro Lobato. Uma boa parte dos entrevistados apontou os livros infantis de Lobato como a porta de entrada para o convívio com os livros.

Eu, se fosse submetido a esse questionário, responderia da mesma maneira: Lobato. Lembro como se fosse hoje o fascínio que aqueles livros exerciam sobre mim. Reinações de Narizinho, A Chave do Tamanho, O Poço do Visconde e tantos outros. Devorava os livros. E, quando minha mãe exigia que a luz do quarto fosse apagada, eu dava um jeito de disfarçar o abajur com um pano e continuava a ler, escondido num canto. Devo isso a Lobato. Eu e mais um montão de gente. Quais serão os livros que hoje despertam o gosto da leitura nas pessoas? Talvez Harry Potter, mas não sei.

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