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Lapouge e os piratas

Luiz Zanin Oricchio

25 de outubro de 2006 | 17h01

Foi uma bela surpresa abrir o Magazine Littéraire deste mês e dar com uma entrevista de Gilles Lapouge lá dentro. Bem, duas coisas: a Magazine, ao lado da Lire, é a mais prestigiosa revista de literatura da França. E o Lapouge é nosso correspondente em Paris. Já estive com ele algumas vezes, quando veio ao Brasil. Já encomendei a ele vários artigos, em geral sobre escritores e filósofos franceses, que entregou com incrível rapidez – e estilo.

Na entrevista da Magazine, Lapouge fala do seu romance mais recente, Le Bois des Amoureux, ainda inédito em português. Fala também do seu trabalho no Estado, “para o qual escrevo, todos os dias, há 56 anos”. Nascido em 1926, Lapouge morou três anos no Brasil e conta que a experiência foi fundamental para alargar seus horizontes. “As viagens e a escrita libertam o homem da condenação de ser apenas ele mesmo”, diz.

E é isso mesmo. Pelo deslocamento físico, no caso das viagens, e pela imaginação, no caso da criação literária, podemos nos afastar do nosso centro, expandir nossos limites.

Uma historinha pessoal a respeito de Lapouge. Eu já o conhecia havia muitos anos como correspondente do Estadão. Mas não sabia que havia publicado livros. Um dia, eu estava em Lisboa, numa feira de livros, quando avistei um cujo título me atraiu: Piratas. Autoria de Gilles Lapouge. Comprei-o e li no avião, durante a viagem de volta ao Brasil. Uma delícia de livro. Descubro agora na entrevista que foi um dos primeiros de Lapouge, que atualmente tem 17 publicações em seu currículo. Aquele era um escrito de juventude em que ele se divertia biografando Morgan e outros “profissionais” da área. Deveria ganhar uma edição no Brasil. Afinal, o tema nos fala de perto.

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