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L’Ora di Punta: o cinema italiano em crise

Luiz Zanin Oricchio

06 de setembro de 2007 | 05h54

VENEZA – Saí agora da sessão de L’Ora di Punta, de Vincenzo Marra, e fui tomar um cafezinho. Ao meu lado, um casal de italianos, aproveitei para perguntar o que significava essa expressão. Ele me disse que significava a hora de maior movimento da cidade e aproveitou para perguntar o que eu tinha achado do filme. Fraco, lhe disse. E ele concordou. Começamos a papear. Por que o grande cinema italiano não existe mais? Será uma crise geral, ou específica? Lembrei a ele do debate que acontece nos jornais: crise cultural ou crise da linguagem cinematográfica? Talvez ambas. O fato é que o grande cinema italiano, se existe, não está aparecendo nos festivais. Meu novo amigo disse que eu não me preocupasse. Não existem mesmo grandes filmes a serem vistos na Itália. Nos festivais ou fora deles. Pena. Este L’Ora di Punta, por exemplo, é um filme bem construído, sobre o fiscal de rendas que se torna ambicioso e vira corrupto. Mas é um cinema tão convencional, que acaba não empolgando a ninguém. Sai-se do filme com uma sensação de indiferença. E isso é mortal para o cinema, quando ele provoca essa reação de “tanto faz”, de que poderíamos muito bem não ter visto determinado filme e isso não faria nenhuma diferença na nossa vida. Cinema, quando não é de entretenimento, tem de exprimir uma certa urgência, seja política, seja existencial, ou de qualquer ordem. Caso contrário, não se justifica.

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