Juntar forças é tendência entre latinos
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Juntar forças é tendência entre latinos

Luiz Zanin Oricchio

22 de agosto de 2013 | 16h55

O termo “coprodução” foi um dos mais usados ao longo do recém encerrado 41.º Festival de Gramado. Depois de adotar o recorte amplo de “cinema brasileiro e latino”, Gramado tornou-se polo de encontro de cinematografias afins. Em especial as do sul do continente, Uruguai e Argentina que, como a brasileira, também têm problemas em tocar suas produções. Juntar forças parece recurso interessante – não para resolver por completo dificuldades particulares de cada país, mas para minorá-las, ao menos.

As coproduções não se fizerem presentes apenas nos papos de corredores ou nos debates, mas marcaram presença na competição latina do festival. E pelo menos um deles teve a virtude de mostrar os impasses da atual legislação.

Foi o caso de Repare Bem, vencedor do Kikito de melhor filme latino do evento. O tema não poderia ser mais (tristemente) brasileiro. Fala de duas mulheres – Denise Crispim e Eduarda Crispim, mãe e filha –, ambas marcadas pela violência da ditadura brasileira. Denise é viúva e Eduarda, filha do guerrilheiro Eduardo Collen Leite, o “Bacuri”, torturado e assassinado pela ditadura. Ambas foram para o exílio e contam suas vidas num filme emocionante.

 

Acontece que a direção é de Maria de Medeiros, atriz e cineasta portuguesa e, por esse fato, não pode ser classificado como “filme brasileiro”. A própria Maria se surpreende: “Gostaria que me explicassem por que esse filme não é brasileiro?!”. De fato, difícil de entender.

A Oeste do Fim do Mundo é uma coprodução típica: seu diretor, Paulo Nascimento, é brasileiro; o ator principal, Cesar Troncoso, uruguaio; a atriz, Fernanda Moro, brasileira, e a história é ambientada na Argentina. O filme ganhou dois troféus: o de melhor ator, para Troncoso, e o Prêmio do Público.

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