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Johnny Alf morreu

Luiz Zanin Oricchio

04 de março de 2010 | 19h12

Soube que Johnny Alf acaba de morrer. Tinha 80 anos. Grande perda. Johnny (na verdade, João Alfredo) foi uma espécie de precursor da bossa nova. Talvez sua música mais conhecida seja Eu e a Brisa, que, de fato, é maravilhosa. Mas tenho um carinho especial por Rapaz de Bem, com sua ginga maliciosa, letra com muito humor e uma harmonia imprevista, cheia de modulações.

Johnny ficou meio à margem da bossa nova porque simplesmente não estava no Rio quando ela eclodiu. Acho que já vivia e trabalhava em São Paulo. Foi aqui mesmo que o conheci, no começo dos anos 1990, morando na Mooca, quando o entrevistei para o lançamento de seu disco Olhos Negros. Um disco lindo, como outros. Delicado, músicas sofisticadas, para um país que já não era o nosso.

Lembro muito bem da entrevista, no apartamento modesto, com um quarto reservado aos ícones da sua devoção religiosa. Alf tocou piano depois da nossa conversa e me disse uma coisa surpreendente. Não tinha preconceitos musicais e gostava de ouvir rock de manhã. “Me deixa cheio de energia para o dia que começa”. 

Johnny, pelo grande músico e compositor que foi, merecia um reconhecimento maior. Suas músicas quase não são tocadas e vivem apenas na nossa memória auditiva. Mas tudo isso, no Brasil, é chover no molhado.

Em todo caso, Johnny Alf deixa um legado de bom gosto e excelentes músicas. Outro dia, falando de José Mindlin e Walter Alfaiate, dizia que dois homens elegantes se iam. O mesmo vale para Johnny.

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