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Jogos Vorazes

Luiz Zanin Oricchio

23 de março de 2012 | 11h36

O ambiente de Jogos Vorazes é o de um pesadelo. A América destruída, talvez por alguma catástrofe ambiental, recria-se sob a forma de um Estado totalitário que exige sacrifício de jovens para deleite da sua população.

Deleite e exemplo: os jogos em que 24 jovens combatem entre si até que 23 morram e apenas um sobreviva são organizados para recordar uma rebelião fracassada contra o poder central. Para lembrar das consequências e evitar que a tentativa se repita no futuro.

Como se vê, as premissas do filme de Gary Ross (de Seabiscuit) são até que bem interessantes. Baseiam-no no bestseller de Suzanne Collins, que substituiu J.K. Rowling (de Harry Potter) no coração dos adolescentes. Repassam, de forma ligeira, questões como o autoritarismo, a manipulação do medo e da esperança, os reality shows e a conivência dos povos com a ditadura. Também de leve, o filme fala da estrutura dos jogos que, como se sabe, têm papel importante na economia libidinal das sociedades. Quanto mais reprimidas estas forem, mais violentos deverão ser os jogos, segundo a lógica romana do Panis et Circenses. Foi assim, dos gladiadores do Coliseu aos lutadores de MMA, que substituíram o boxe quando este foi considerado insuficientemente violento para bem representar a nossa época.

Mas é claro que as críticas radicais, embora presentes em potência, são todas aparadas e ficam pela metade ou se diluem nesse tipo de block buster. Importa mesmo é o namorico entre Katniss (a talentosa Jennifer Lawrence, de Inverno na Alma) e Peeta (Josh Hutcherson), ambos egressos do paupérrimo Distrito 12. A economia das séries e franquias permite a radicalidade, mas só até certo ponto. Mesmo porque o show deve continuar nos próximos capítulos e portanto desfechos trágicos são vetados.

(Caderno 2)

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