As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jogo totalitário?

Luiz Zanin Oricchio

03 de julho de 2012 | 08h57

Cada um de nós tem suas preferências. Mas fica difícil não admitir a superioridade do futebol espanhol depois do chocolate de 4 a 0 aplicado nos italianos na final da Eurocopa. Foi uma dessas vitórias acachapantes que se impõem como demonstração definitiva de superioridade. Lembrou-me o passeio do Barcelona em cima do Santos, curiosamente pelo mesmo placar impiedoso.

E isso num momento em que o estilo espanhol já vinha sendo contestado. Muita gente, entre as quais me incluo, acha o estilo espanhol meio chato, obcecado pela posse de bola, paciente demais, à espera do melhor momento para dar o bote. Aceitamos isso no Barcelona por que há a genialidade de Messi, aquele toque inesperado dos poetas, a jogada surpreendente, hoje tão rara no futebol pasteurizado. Sem Messi, a Espanha parece um Barcelona mais rotineiro. Mas nenhuma outra seleção se mostra capaz de derrotá-la. E, verdade seja dita, jogou bonito contra a Itália.

O engraçado é que não se trata de estilo retranqueiro, daqueles que, mesmo vencedor, acaba despertando má vontade dos apreciadores do futebol arte. Não. A Espanha joga o jogo. Troca passes e trata a bola com gentileza. Ou não é bonito ver como Iniesta ou Xavi jogam? No entanto, há quem chame esse estilo de “totalitário”, na medida em que joga sem que o adversário consiga ver a bola. Instaura uma desproporção em campo.

Existe algo de moral nesse tipo de observação. Supõe que o futebol seja um jogo de alternância, em que um ataca, depois cede a bola ao adversário, que passa a atacar, e assim por diante. Quando um dos times praticamente monopoliza a posse de bola, subverte essa equação justa. Passa a ser jogo de um lado só. Se perguntarem a um adversário da Espanha como era a bola, de que cor, que desenhos tinha, ele não vai ser capaz de responder, porque não a viu. A observação sobre o totalitarismo do Barcelona e, por extensão, da Espanha, tem seu sentido.

Mas, ora, o futebol não se propõe ser ético ou justo, ou mesmo democrático, no sentido do senso comum desses termos. Cada um busca a vitória e o máximo a esperar é que ela se dê dentro das regras. E ponto. De modo que é melhor ir procurando um jeito de enfrentá-los, e dentro das 17 regras: 2014 está aí e a Espanha é favorita ao bi mundial.

Corinthians. Será a semana da vida do Timão. Um amigo corintiano me perguntou o que eu achava da decisão com o Boca. Respondi a ele o que aqui escrevo: acho que o Corinthians tem todas as condições de ganhar sua primeira Libertadores. O mais fanático dos torcedores sabe que não será fácil. O Boca, mesmo não sendo o mesmo de outros anos, é sempre o Boca. Joga bem fora de casa. É o mais copeiro dos times. O Corinthians só não pode se apavorar. Deve jogar com a seriedade de sempre. O gol do Romarinho foi fundamental. Deixou tudo pau a pau. Agora é jogar, e sofrer.

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão

Tudo o que sabemos sobre:

BarcelonaCorinthiansSeleção espanhola

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.