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Jesse James e Lady Chatterley

Luiz Zanin Oricchio

23 de novembro de 2007 | 09h23

Uma semana das mais interessantes para quem gosta de cinema. Além da mostra Venezia Cinema Italiano III, que traz alguns dos filmes da penínsulas que participaram do recente Festival de Veneza, há estréias excelentes no circuito comercial.

Destaco duas: O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik, e Lady Chatterley, de Pascale Ferran. São dois filmes de alto nível, gostosos de ver e que satisfazem paladares exigentes, qualidades que nem sempre andam juntas. Com seu ‘Jesse James’, Dominik faz muito mais do que revisitar uma figura lendária do Oeste. Põe sua atenção no complexo jogo de fascínio e rivalidade que existe entre um admirador, Ford (Casey Affleck), e seu ídolo, Jesse (Brad Pitt). Dominik mostra ainda como Ford vive do seu crime, reencenando-o centenas de vezes no teatro, num ritual melancólico que também lhe cobra seu preço.

Já na adaptação do autor inglês D.H.Lawrence pela francesa Pascale Ferran, o que ressalta é o olhar feminino sobre o desejo. ‘Lady Chatterley’ é sensual sem nunca descambar para a vulgaridade. Vê o mundo filtrado pelo sentimento da jovem Constance (Marina Hands), casada com um mutilado de guerra, que inicia um caso com um empregado da sua propriedade (Jean-Louis Coulloch). Além de estudo sobre o desejo, ‘Lady Chatterley’ é, também, interessante comentário sobre a sociedade de classes e como elas se relacionam – inclusive na cama.

(Guia do Estadão, 23/11/07)

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