As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jamelão imenso

Luiz Zanin Oricchio

14 de junho de 2008 | 21h18

Soube agora há pouco da morte de Jamelão. Foi-se aos 95 anos e não se pode lamentar, pois a biologia tem seus limites e ele a forçou até onde deu. Estava há muito doente.

Vale lembrar o imenso cantor, que talvez tenha ficado em segundo plano em função da sua presença mais notória nos desfiles de escolas de samba. Difícil imaginar a Mangueira sem ele “puxando” seus sambas – verbo que ele detestava pois dizia que puxador era ladrão de carros. Aliás, Jamelão foi famoso também por seu mau humor, caracteristica que provei, não poucas vezes, quando o cumprimentávamos, no rabo da madrugada, no restaurante Parreirinha, que ele frequentava sempre que estava em Sampa. Acho que, por aqui, fez suas últimas apresentações no Bar Brahma, da Avenida S. João.

Mas, enfim, Jamelão será lembrado (e ouvido, tenho certeza) como o grande intérprete de sambas que foi. Aquele vozeirão não deixava em segundo plano um senso de divisão adquirido por quem era mesmo do morro, de raiz, da Estação Primeira de Mangueira.

Agora, não dá também para esquecer que Jamelão foi também o grande intérprete de um gaúcho genial, Lupicínio Rodrigues, e de suas canções de dor-de-cotovelo. Gravou um disco inteiro com elas, acompanhado pela Orquestra Tabajara, e levou músicas como Vingança e Nervos de Aço a seu paroxismo de dramaticidade.

Foi uma bela passagem pela Terra, a do nosso Jamelão. Acabei de ouvir a primeira faixa deste disco, Meu Recado, e já lhe mandei meu muito obrigado.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.