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Itália: sempre há esperança

Luiz Zanin Oricchio

09 de fevereiro de 2009 | 14h38

Quando penso que não existe mais esperança e que as trevas finalmente chegaram, lembro que a Itália também é a terra de gente como Nanni Moretti e Umberto Eco. Vejam, por exemplo, o que diz Eco para a Agência Ansa, em despacho que transcrevo abaixo:

“Umberto Eco critica intervenção do governo italiano em caso Eluana”

O filósofo também citou o caso de Cesare Battisti, afirmando que a Itália respeita as decisões da justiça se for cômodo, caso contrário não.

MILÃO, 7 FEV (ANSA) – O filósofo italiano Umberto Eco criticou duramente o governo de Silvio Berlusconi por intervir no caso de Eluana Englaro, afirmando que o governo toma uma determinada postura quando lhe convém, citando como exemplo o que é feito em relação a Cesare Battisti.

Para Eco, a iniciativa do governo italiano representa “um atentado gravíssimo contra a Constituição”, já que “se trata de um decreto do governo contra uma disposição da justiça”, o que representa ainda “a tentativa de fragilizar a Constituição”, afirmou.

Ontem, o governo italiano aprovou o decreto de lei que proíbe a suspensão da alimentação de Eluana. O projeto deve ainda ser ratificado pelo Congresso.

“Depois nos lamentamos do caso [Cesare] Battisti, no qual a justiça italiana tomou uma decisão e o governo quer que esta seja seguida: porque neste caso é cômodo e no outro não”, enfatizou em alusão às contestações de autoridades italianas, que exigem do Brasil a revisão da concessão de refúgio ao italiano e sua extradição, como determinou a justiça do país.

Eco fez as declarações em uma manifestação realizada em Milão em apoio ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, que ontem se declarou contra a aprovação do decreto.

“É como se eu tivesse estrangulado minha avó e o governo tivesse que fazer um decreto para dizer que eu posso ir para casa”, explicou Eco.

A família Englaro, após obter o direito judicial de interromper o tratamento que mantém Eluana viva, tranferiu a filha na última semana a uma clínica de Udine, onde será suspensa sua alimentação e hidratação.”

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