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Itália querida…

Luiz Zanin Oricchio

06 Fevereiro 2008 | 16h37

Muitos anos atrás, eu passeava pela região do Vêneto, de onde vem parte da minha família (a parte Zanin, justamente). Vagava por ali, meio ao léu, tarde de inverno, ninguém nas ruas da cidadezinha, quando avistei ao longe um edifício meio pesadão. Caminhei para lá para ver o que era. No pórtico estava escrito, em letras enormes: Partito Fascista. Fiquei pasmo, pensei que o fascio e os camisas pretas tivessem sido enterrados junto com o Duce. Mas não.

Anos depois, conheci pessoalmente um cineasta por quem tenho grande admiração, Bernardo Bertolucci. Conversei com ele sobre cinema e política, em particular sobre dois filmes que adoro, A Estratégia da Aranha e O Conformista (obra-prima que revi anteontem na TV por assinatura). Duas meditações sobre o fascismo.

Perguntei o motivo da insistência no tema, e ele respondeu que, em seu país, o fascismo estava sempre latente, à espreita, entranhado na malha social e pronto para renascer. Isso foi em 1993, ou 1994, quando Bertolucci veio ao Brasil para o Festival de Brasília.

Por que me lembro de tudo isso? Porque acabo de ver que Silvio Berlusconi é favorito nas eleições, antecipadas pela queda do gabinete Prodi. Bertolucci sabia do que falava. Itália querida, pobre Itália.