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Itália, península em transe

Luiz Zanin Oricchio

22 Fevereiro 2007 | 11h47

Estava ontem à noite muito tranqüilo da vida, assistindo ao Jornal da Globo, quando anunciaram que o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, havia renunciado. Notícia internacional na Globo é assim: pá, pum. Renunciou, fim de papo, passemos a outro assunto. Análise? Nem pensar. Acabou meu sossego, tive de abrir a internet e ler os sites italianos para ver o que se passava. Como oriundo e eleitor da coalização do Prodi, sinto-me um pouco responsável também pela península, terra da minha família, em especial depois dos efeitos do período Berlusconi que pude comprovar por lá. Prodi apresentou a renúncia porque a proposta do seu chanceler Massimo D’Alema para a política externa não passou pelo senado. Dois pontos pegam: a manutenção das tropas italianas no Afeganistão e a ampliação de uma base norte-americana em Vicenza, no norte italiano. Bem, a princípio pensei que a esquerda mais uma vez se dividia para botar azeitona na empadinha da direita. Mas, afinal, princípios são princípios. Prodi não se elegeu prometendo trazer os soldados italianos de volta para casa? E por que tem de honrar essa ampliação da base americana, acordada na época de Berlusconi?