Indie 2020: ‘Lótus perdida’ e os dilemas morais
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Indie 2020: ‘Lótus perdida’ e os dilemas morais

Luiz Zanin Oricchio

10 de novembro de 2020 | 17h46

Buscamos justiça ou vingança? A pergunta incômoda está no centro de Lótus Perdida, de Hong Kong, atração do Indie – Festival do Filme Independente. 

O longa, da diretora Liu Shu, trabalha com simplicidade (mas sem perder profundidade ) nessa linha fina das questões éticas e seus impasses. 

Wu Yu é uma jovem professora. Fica abalada com a morte da mãe, atropelada por um desconhecido. A religião budista, mesmo com a ideia de reencarnação, não a conforta. Ela se obstina em encontrar o motorista, que se evadiu do local sem prestar assistência à vítima. 

Tanta disposição cobra seu preço. O marido a ajuda, mas até certo ponto. Às tantas, surge em cena um advogado, propondo acordo. Seu cliente paga uma bela quantia para que tudo seja esquecido. Ela não topa. Quanto vale a vida da mãe? 

Mas o castigo ao culpado a trará de volta? O que deve ser feito a quem causa a morte de uma pessoa? Aplica-se a justiça, mas será o suficiente? Ou retornaremos à Lei de Talião? Olho por olho, dente por dente. Uma morte por outra? 

Essas questões disputam espaço em nosso cérebro enquanto assistimos a esse filme simples, breve, porém inquietante. 

Uma narrativa é, também, uma forma de discurso, uma análise de possibilidades de pensamento e de conflitos morais. Ora nos identificamos com a protagonista, ora nos distanciamos dela. Para quê? Para formarmos nossa própria convicção. Ou para reforçar nossas dúvidas? 

 

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