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Il Divo

Luiz Zanin Oricchio

07 de maio de 2013 | 10h41

A morte de Giulio Andreotti, político italiano, premiê várias vezes e figura controversa, envolvida em episódios de corrupção, sendo mesmo acusado de assassinatos, só me faz lembrar do grande filme de Paolo Sorrentino, Il Divo, nunca lançado aqui, penso. Vi-o numa Mostra de Cinema, faz alguns anos.

Andreotti é interpretado por Tony Servillo, um dos grandes atores contemporâneos da Itália. Servillo sofre uma transformação incrível, aproximando-se, fisicamente, do político, mas pela via da caricatura. Quer dizer, sublinhando traços característicos, como as orelhas de abano. O registro, no entanto, quase nunca é realista. O poder, a solidão do poder, os compromissos exigidos pela política – tudo isso parece imerso num ambiente levemente onírico. Sonhou ou pesadelo? Quando se conhece a política italiana, a inclinação é pela segunda alternativa.

Andreotti esteve à frente do governo italiano por sete vezes. Era tão presente que os italianos cunharam uma frase: “como não há rosas sem espinhos, não existe governo sem Andreotti”.

Il Divo é um mergulho quase surreal na política italiana. Ela própria surreal, aliás. Reputo Il Divo como um dos grandes filmes políticos da atualidade, ao lado de Bom Dia, Noite e Vincere, ambos de Marco Bellocchio, e Carlos, de Olivier Assayas.

 

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