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Idéia de graça: o auto-exílio dos músicos brasileiros

Luiz Zanin Oricchio

15 Janeiro 2007 | 16h26

Essa vai para algum cineasta em busca de projeto: que tal um filme sobre a legião de músicos brasileiros que se auto-exilou e fez carreira lá fora? Não é difícil lembrar de vários nomes: Sérgio Mendes, Dom Salvador, Do Um Romão, Eumir Deodato, Raul de Souza, Paulo Moura, Moacir Santos, Baden Powell, Naná Vasconcellos e um longo etc. Os brasileiros sempre saíram, como Carmen Miranda e o Bando da Lua, por exemplo. Mas a aceitação internacional da bossa nova ajudou a abrir mercados. Mercado que não existia aqui dentro, em especial se o cara era um músico sofisticado, queria viver de sua carreira de instrumentista e não se conformava de ganhar a vida acompanhando cantoras. Assim, foram em busca de oportunidades nos Estados Unidos e também na Europa.

Esses que citei acima são alguns dos mais conhecidos. Mas posso garantir que existe uma legião de músicos, alguns deles excepcionais, pouco conhecidos no Brasil e que ganham a vida lá fora. Fui amigo de um deles, o grande violonista Toninho Ramos que, cansado de ser um entre outros no conjunto de Martinho da Vila, desertou durante uma turnê e estabeleceu-se em Paris. Tocava numa casa noturna perto do Quartier Latin, na rue des Écoles, chamada Discophage. Era um centro informal de reunião de músicos brasileiros na diáspora e conheci vários deles nos anos em que lá vivi. Sempre me diziam o mesmo: na Europa tinham um público, embora pequeno, conseguiam viver da sua arte, gravar, dar concertos. Existência digna. Toninho viajava, apresentava-se em concerto, gravou discos na Alemanha. Viramos compadres, sou padrinho de Jonathan, seu filho com Brigitte. Perdi contato com eles faz já muitos anos.

Enfim, acho que este projeto daria um senhor filme, que falaria não apenas dos músicos conhecidos, como dos anônimos de grande valor. E diria bastante do Brasil, que se tornou (em todas as áreas) um exportador de talentos pois não consegue criar um ambiente favorável que os mantenha em casa. Taí a idéia, de graça.