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Horário dos jogos na Capital

Luiz Zanin Oricchio

25 Fevereiro 2010 | 13h19

Pessoal, o Caderno de Esportes me pediu um pequeno texto com minha opinião sobre o projeto de lei que obriga os jogos noturnos a terminarem até as 23h15. Segue o artiguinho abaixo:

Clubes, jogadores, torcida – ninguém se beneficia com jogos marcados para as 21h50 e que terminam quase à meia-noite. Mas, claro, o prejuízo maior cai na conta do torcedor que vai ao estádio. Este abnegado, além de enfrentar todos os desconfortos decorrentes da opção insensata de ir ao campo (preço do ingresso, cambistas, violência, flanelinhas, banheiros sujos, etc.), ainda se submete às consequências do horário tardio: linhas de ônibus e metrô desativadas, táxis caros e raros. Se for com o próprio carro, dirige de volta à casa de madrugada, isso em cidade que não prima exatamente pela segurança. Vencida essa corrida de obstáculos, vamos admitir que o torcedor tenha chegado direitinho ao lar, pelas duas ou três da madrugada. O cidadão não trabalha no dia seguinte? Entra a que horas no emprego? Não tem direito às sagradas sete ou oito horas de sono diárias?

Vamos ao ponto: o futebol das 22h não interessa a ninguém – apenas à TV. Dona dos direitos de transmissão, determina esse horário insensato de modo a acomodar os jogos em sua programação. Tudo bem, não precisamos ser xiitas. A TV paga parte da conta do futebol e pode fazer certas exigências. Mas parece que, no caso, extrapola. Não faz sentido penalizar toda uma coletividade em nome de conveniências mercantis de uma empresa. Marcar jogos para horários civilizados seria de elementar bom senso. Quando a racionalidade falha, a lei entra para corrigir. Espera-se que o prefeito use desse senso comum ao apreciar um projeto de lei que repõe as coisas nos devidos lugares.

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