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Hora de silêncio

Luiz Zanin Oricchio

18 de julho de 2007 | 13h50

Como deve ter acontecido com todos vocês, fiquei estarrecido ao saber do acidente com o avião da TAM em Congonhas. Em casos assim, experimentamos uma sensação inicial de letargia e pasmo diante daquilo de que deveríamos ter consciência o tempo todo, e nos fazer mais humildes – a fragilidade da vida humana.

Depois, vêm as preocupações mais particulares, por assim dizer: tenho parentes que trabalham na aviação, muitos amigos e conhecidos gaúchos, que poderiam estar vindo para São Paulo naquele vôo. Como viajo muito, tive de ligar para minha mãe e assegurar que estava vivo e são. Enfim, como qualquer um, fiquei perplexo, triste, revoltado.

Não se sabe ainda quais as causas do acidente. Pista mal reformada, ausência do tal do grooving, do qual nunca tinha ouvido falar, falha mecânica, erro humano, reflexo da crise aérea, etc. Provavelmente, num acidente desse vulto deve haver mais de uma causa. Mas humano é procurar, o mais rápido possível, um responsável direto pela tragédia.

Mesmo sabendo disso, me espantei dando uma olhada rápida no mundo blogger e dos sites. Descobri que muitos deles, antecipando-se a qualquer inquérito e com toda facilidade, já encontraram os culpados por tudo. Eu sei que vivemos no país dos linchamentos morais, mas deveríamos, por respeito aos mortos, guardar um pouco de silêncio e pudor, evitar a politização da tragédia e esperar pelos resultados das investigações técnicas. Quando, aí sim, os responsáveis deverão ser punidos com todo o rigor e até as últimas conseqüências.

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