Hollywood não ama revoluções
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Hollywood não ama revoluções

Premiação mostra que o perfil da Academia é liberal conciliador

Luiz Zanin Oricchio

25 de fevereiro de 2019 | 12h01

Dizer que nada mudou seria negar o óbvio. Aquela festa colorida, cheia de pessoas negras e de outras etnias, contrastava com o #OscarSoWhite de tempos atrás. Houve avanços.

Mas, na hora agá, no momento de operar uma ruptura, a Academia puxa o freio de mão e atribui o prêmio principal a um bonito filme, que toca na questão racial mas o faz de maneira gentil e conciliadora. É assim Green Book – o Guia, vencedor do Oscar principal, além dos de ator (Mahershala Ali) e roteiro original.

O passo ousado seria premiar Roma como melhor filme, quebrando tabus e elegendo uma obra falada em espanhol e mixteca, produzido por uma plataforma em streaming e estrelado por uma indígena mexicana.

Ou optar pelo corrosivo Infiltrado na Klan, inspiradíssimo filme de Spike Lee, que junta as pontas do ancestral racismo norte-americano com o dos dias atuais. O filme bate na tela como um coquetel Molotov e seu poder explosivo pode ter deixado a Academia com um pé atrás.

Ou ainda, ousadia seria colocar tudo de pernas para o ar e eleger melhor filme o block buster Pantera Negra, com seu elenco de técnicos e atores negros e sua versão anti clichê da cultura africana.

O mesmo para Vice, com sua visão ácida e carnavalizada dos bastidores do centro do poder na era de Georges W. Bush.

Tudo isso seria revolução. Que não houve. Mas, atenção: Roma foi bem premiado, assim como Pantera Negra, e Spike Lee descolou seu primeiro Oscar, de roteiro adaptado. Vice foi só lembrado no quesito maquiagem. 

Então avanço houve. Mas avanço controlado, aos pouquinhos.

O perfil da Academia é liberal conciliatório. Apoia mudanças, desde que não pisem em seu jardim.

OS VENCEDORES:

. “Green Book, o Guia” – melhor filme, ator coadjuvante (Mahersala Ali), roteiro original

. “Roma” – melhor filme estrangeiro, melhor direção (Alfonso Cuarón), melhor fotografia (Alfonso Cuarón)

. “Bohemian Rhapsody” – melhor ator (Rami Malek), montagem (John Ottman), edição de som, mixagem de som

. “Pantera Negra” – melhor figurino (Ruth Carter), direção de arte (Jay Hart), trilha sonora original (Ludwig Goransson)

. “A Favorita” – melhor atriz (Olívia Colman)

. “Infiltrado na Klan” – melhor roteiro adaptado (Spike Lee, Charlie Watchel, David Rabinowitz, Kevin Willmont)

. “Vice” – melhor maquiagem e penteados (Greg Cannon, Kate Biscoe, Patricia Dehaney)

. “Nasce Uma Estrela” – melhor canção original (“Shallow)

. “Se a Rua Beale Falasse” – melhor atriz coadjuvante (Regina King)

. “O Primeiro Homem” – melhores efeitos especiais (Paul Lambert, Ian Hunter e Tristan Muller)

. “Free Solo” – melhor longa documental

. “Homem Aranha no Aranhaverso” – melhor longa de animação

.”Skin” – melhor curta-metragem de ficção

. “Bao” – melhor curta-metragem de animação

. “Absorvendo o Tabu” – melhor curta documental

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