As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Hobbit. Muito barulho por nada

Luiz Zanin Oricchio

24 Dezembro 2014 | 13h53

 

A Batalha dos Cinco Exércitos é a última parte de uma trilogia baseada em um único romance, O Hobbit, de Tolkien. Falta assunto, sequela óbvia em projeto tão alongado por razões comerciais. Um filme liquidaria a questão, assim como um livro bastou ao autor. Mas e a grana que se poderia auferir desmembrando-o em três? Como resistir? Daí a questão, difícil de ser equacionada: de que maneira preencher o tempo necessário a mais esta variante da franquia? Como encher linguiça, sem parecer que é isso que se está fazendo? Acumulando lutas sobre lutas. Efeitos especiais sobre efeitos especiais. Barulho, destruição, porradas, etc. E daí?, se pergunta o espectador não fanático, depois da enésima batalha. Daí, nada. Niente. Coisa nenhuma.

Nesse ambiente mítico, criado por Tolkien, trata-se, mais uma vez, de evitar que o mundo seja destruído. Mal contra o Bem, dicotomia tão antiga como a humanidade, insuficiente para nos poupar do sentimento de repetição. Peter Jackson poderia ter inventado um pouco mais para não ser redundante. Mas, enfim, por que o faria?

Para não dizer que não falei de flores: as sequências finais, que convém não revelar, são tocadas por uma suave melancolia, que contêm até mesmo alguma beleza. Mas de fato é muito pouco para um filme extenso, cansativo e desprovido de sentido. É possível e até provável que os adeptos da franquia gostem. Gostam por antecipação, sem precisar ver o filme, na verdade. É uma espécie de adesão religiosa, sustentada por convicção prévia e inabalável. Ato de fé. Para os leigos, estranhos à seita, sobra o vazio.

Mais conteúdo sobre:

Peter JacksonTolkien