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Histórias de Cabo Verde

Luiz Zanin Oricchio

10 Novembro 2006 | 13h56

Vindo para o jornal, ouvi na Rádio Jovem Pan uma história deliciosa. Havia sido anunciado que Ricardo Rocha seria o novo técnico da seleção de Cabo Verde. A notícia correu mundo, afinal o nosso Ricardo Rocha foi jogador conhecido, campeão do mundo em 1994 e atleta do Sporting de Lisboa. Deu-se que, quando o técnico anunciado chegou para a primeira coletiva de imprensa, constatou-se que não era o Ricardo Rocha conhecido e sim um homônimo, ou quase, um certo Ricardo Carneiro Rocha. Ouvido pela rádio, o Ricardo Rocha famoso disse não poder garantir, mas desconfiava que se tratava de alguém que já havia se passado por ele em outras ocasiões.

A história hilária só aumentou a minha vontade de conhecer essa antiga colônia portuguesa. Já havia ficado fascinado por uma de suas personagens mais conhecidas, a maravilhosa cantora Cesária Évora, que esteve aqui no Brasil, cantando com sua voz de Billie Holliday aquela música tão parecida (e ao mesmo tempo tão diferente) da brasileira. Tenho vários CDs da Cesária e ouço-os com freqüência.

Depois, o Mário Prata me apresentou um escritor cabo-verdiano de passagem pelo Brasil. Era o Germano Almeida, um homenzarrão de dois metros, sorriso permanente na cara, vindo do Mindelo, capital da principal ilha do arquipélago, São Vicente. É lá que se passa a deliciosa história do livro mais conhecido do Germano, O Testamento do Senhor Napumoceno, depois transformado em filme pelo diretor português Francisco Manso. O próprio Mário Prata escreveu o roteiro e o elenco é quase inteiro brasileiro, com o grande Nelson Xavier no papel de Napumoceno.

Vi o filme, rodado in loco, e me chamaram a atenção as paisagens ora verdes ora vulcânicas das ilhas. A partir dessas imagens, me pus a fantasiar um país malemolente, com gente amável como o Germano Almeida e cabarés com cantoras como a Cesária. Um lugar onde acontecem histórias como a de Ricardo Rocha. Um dia ainda vou lá.