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Histórias de Amor Duram Só 90 Minutos

Luiz Zanin Oricchio

12 de março de 2010 | 11h38

Histórias de Amor Duram Apenas 90 minutos é o título do primeiro longa-metragem de Paulo Halm, conhecido roteirista do cinema brasileiro. Pepê, como a turma o chama, constrói uma história interessante em torno da crise de amadurecimento de um jovem de 30 anos. Quem é ele? Zeca (Caio Blat), candidato a escritor, que ainda vive da mesada do pai e não se decide a terminar um romance encruado. Zeca mora com a beldade Júlia (Maria Ribeiro). Caio e Maria são casados na vida real.

Pode-se desejar (e supor) que a relação dos dois na realidade não seja tão tumultuada quanto na ficção. Nesta, Caio é meio infantil, como tantos adultos que chegam à maturidade etária. Não consegue se decidir por uma profissão e vive em atrito com o pai, o bibliófilo vivido por Daniel Dantas, que só tem uma palavra de ordem para o filho: “Termine o seu livro.” Um bom conselho, afinal. Júlia é uma mulher ambiciosa, prática e liberada. Faz pós-graduação e seu sonho é um doutorado em Paris. Para complicar a situação do casal, surge entre os dois um tsunami hormonal que atende pelo nome de Carol (a argentina Luz Cipriota).

O filme tem clima. Segue o padrão de narrativa em off do protagonista, que conta ao espectador seus desacertos na vida. Joga bem com o lado documental ao sair para as ruas e registrar um Rio de Janeiro muito vivo, sensual e efervescente. São boas sacadas. Outro aspecto interessante é o jogo entre a realidade e a fantasia, com um narrador inseguro que especula sobre a verdadeira natureza das relações entre Ana e Carol. Enfim, há também muita sensualidade em jogo, e encenada sem mau gosto, ao evitar a linguagem publicitária associada ao sexo.

Por outro lado, a conclusão do rito de passagem de Zeca parece meio automática e abrupta. Afinal, trata-se de um homem chegando à casa dos 30 anos em meio a um casamento tempestuoso e com uma vocação problemática de escritor em pendência. Escrever é lidar com o simbólico e, na situação de Zeca, talvez apenas a simbolização de tudo que o aflige (o pai, o casamento, a amante, o sexo em si e a questão profissional) pudesse salvá-lo. Seria de supor que uma questão trabalhasse a outra de forma mais próxima, mas talvez por exigência da fluidez narrativa elas aparecem um tanto desconectadas.

(Caderno 2, 13/3/10)

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