As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Hiroshima

Luiz Zanin Oricchio

12 de julho de 2010 | 13h47

O filme Hiroshima faz parte do Festival Latino-americano que começa hoje em São Paulo. É uma programação e tanto.

Em 2004, os uruguaios Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll ganharam o Festival de Gramado com um filme profundo em sua forma simples, Whisky  Em 2006, Rebella morreu. Suicidou-se. Agora Stoll lança Hiroshima, seu novo filme, e o dedica ao amigo.

Há muita solidão nessa obra de de título estranho (a origem irá se explicar apenas no final). Ele começa com um longo plano-sequência do personagem principal, andando pela rua, ouvindo seu walkman e dirigindo-se à sua casa, onde mora com os pais. Lá encontra uma série de recados. Deve arrumar seu quarto, lavar as louças, fazer compras e, sim, assistir à TV, que irá transmitir um concurso no qual ele está inscrito. O prêmio, que ele talvez não queira receber, é um emprego nas ferrovias uruguaias.

O filme não tem diálogos, assim como o personagem não tem rumo. Stoll usa o recurso, que às vezes parece anacrônico, do tempo do cinema mudo – quando os personagens dialogam, aparece na tela um letreiro com o que dizem. O resto é música. Ou silêncio.

De certa forma, o anacronismo comenta o que parece ser o alvo crítico de Stoll – o ar um tanto velho e sufocante de uma sociedade que lhe parece estagnada. Juan Andrés é esse tipo ideal do jovem perdido, já não um adolescente, que apenas atravessa a vida sem qualquer projeto aparente. Anda pelas ruas, namora, escuta música e apenas tem vista um show de rock do qual irá participar à noite.

O cinema solo de Stoll, seguindo a linha daquele que fizera em parceria com Rebella, é bastante alusivo, pessoal, sem concessão ao tipo de linguagem cinematográfica mais agradável ao grande público. Para os cineastas que se limitam a dizer que “gostam de contar uma boa história”, Stoll revela os encantos e sentidos possíveis de uma não-história.

(Caderno 2, 13/7/10)

Tudo o que sabemos sobre:

cinema uruguaioHiroshimaStoll

Tendências: