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Herzog e a pena de morte

Luiz Zanin Oricchio

24 de novembro de 2012 | 20h32

Werner Herzog gosta de montanhas e cavernas. Gosta de enfrentar desafios. E também aprecia a profundeza. Na ficção como no documentário. Por isso, pela coragem de usar o cinema como instrumento de conhecimento humano até o limite, seria difícil pensar em outro cineasta como autor de obras como obras como Into the Abyss (Ao Abismo) e Death Row (Corredor da Morte), talvez as mais radicais investigações sobre a pena de morte já feitas pelo cinema. Pelo menos o cinema documental, já que, na ficção, essa palma fica para Krzystof Kieslowski e seu insuperável Não Matarás.

Herzog toma os casos reais de condenados à pena máxima nos Estados Unidos. Em Ao Abismo entrevista dois presos, condenados pela morte de uma mulher. Aparentemente, um crime estúpido, cometido por causa de um automóvel. Em Corredor da Morte são quatro histórias terminais, divididas em quatro episódios de 52 minutos cada, feitos para a TV. Os filmes são impressionantes.

A técnica não varia: entrevistas na prisão com os condenados, alternadas a reconstituições dos crimes de que são acusados e conversas com outros envolvidos, como parentes das vítimas, a família dos presos, policiais, juristas e até mesmo os carrascos, os funcionários incumbidos da execução.

Mas, claro, a fala dos condenados, em sua agonizante espera, é o que os filmes têm de mais impactante. Em especial porque falam a um interlocutor, Herzog, que em momento algum procura desculpá-los por seus crimes – que de hábito eles negam. A atitude de Herzog é a de quem não os desculpa pelo que possam ter feito, mas também não compactua com o assassinato de Estado que é a pena capital. Sua atitude pode parecer impiedosa, porque se nega por completo à comiseração fácil. Mas é apenas humana e repeitosa nessa negativa da pieguice. E os prisioneiros sentem isso. Por esse motivo falam. E o que dizem é terrível.

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