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Hegemonia mineira à vista? *

Luiz Zanin Oricchio

27 Setembro 2013 | 11h17

Amigos, não sei se o Cruzeiro vai ser campeão. Cá entre nós: ninguém sabe. Mas todos podemos ter sérias inclinações a pensar que a Raposa está próxima de papar essa, não? Eu fiquei um pouco mais convencido disso ao ver o empate entre Corinthians e Cruzeiro no Pacaembu. Um 0 x 0 interessante, de bom nível e muita entrega dos dois times.

O que me chamou mais a atenção foi isso – a disposição dos jogadores, mais até que a parte técnica. Todos tinham lá seus motivos. Os corintianos, porque afinal estão pressionados. Andando de lado, no meio da tabela, têm até seu técnico ameaçado. Quem diria, hein? Tite, até há pouco, era tido como verdadeiro intocável, espécie de Alex Ferguson do Parque Sao Jorge. Ficaria no Corinthians quanto tempo quisesse. E não é que, depois de alguns jogos sem vitória, já se começa a sentir aquele inconfundível odor de fritura? Pois bem, o Timão precisava jogar para defender seu técnico, seu projeto, seu status de campeão da Libertadores e do mundo.

Por seu lado, o Cruzeiro aplicava-se com toda a intensidade pois, se perdesse ou empatasse, o Botafogo, que jogava em casa contra o Bahia, poderia encurtar a distância. Desse modo, defendeu-se e atacou. Quase perdeu, em alguns ataques do Corinthians, mas também quase venceu, em especial quando Julio Batista perdeu gol feito no final.

Enfim, no Pacaembu houve luta e luta séria entre dois oponentes dedicados à vitória, mas por motivos diferentes.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro o Botafogo saía na frente e tomava a virada do time do Bahia. Quando até o empate já parecia muito ruim para os botafoguenses, o caldo entornou de vez com o gol de cabeça do eterno Obina, aquele que a torcida do Flamengo, auto-irônica, dizia ser melhor do que o Eto’o.

Resultado: o Cruzeiro, que já tinha sete pontos de vantagem sobre o Botafogo, acabou a rodada com oito. É ou não é para comemorar? Mas será que se chegou a isso por acaso? Desconfio que não.

Basta lembrar que, no meio da semana, houve o confronto direto entre Cruzeiro e Botafogo. E o Cruzeiro venceu não por um ou dois, mas por três a zero. Goleou. Passou por cima do adversário e aniquilou o possível rival na briga pelo título. No momento em que teve de ser decisivo, o Cruzeiro o foi. Ontem, quando empatava no Pacaembu e o Botafogo vencia, o resultado parecia ruim. O rival encurtaria a distância para cinco pontos. Ou para quatro, caso o Corinthians vencesse, o que não era improvável. Com a derrota do Botafogo, o empate virou um resultado dos céus para o Cruzeiro. Sorte? Acho que não. Simplesmente consciência de que, em determinados momentos, não se pode perder. Consciência de que o Cruzeiro parece dotado mas não o Botafogo.

É verdade que, bem analisado, esse time do Cruzeiro, sem nada ter de excepcional, mostra grande regularidade. É o tipo do time bem treinado, bem azeitado, que se distribui muito bem em campo e tem conseguido jogar de maneira regular, tanto em casa como fora. Domingo mesmo, não parecia em nada constrangido ao atuar na casa do Corinthians.

Além das qualidades da equipe (sem as quais nada adianta), o Cruzeiro parece muito turbinado pela rivalidade interna. Num ano em que o Galo venceu de forma épica a Libertadores da América, e irá disputar o Mundial   de clubes no Marrocos, qual a única resposta possível do Cruzeiro, além de secar o rival no provável encontro com o Bayern de Munique? Vencer o Campeonato Brasileiro, claro. Virou um ponto de honra, o que criou uma situação curiosa. A se confirmar o título do Cruzeiro, o eixo do futebol brasileiro terá se deslocado em direção às Minas Gerais. Com os paulistas abaixo da crítica, os gaúchos sem conseguirem engrenar a marcha e os cariocas tendo apenas o Botafogo como (ainda) candidato ao título, sobrou para Minas. A se confirmarem as tendências, é claro.

* Coluna publicada no Esportes do Estadão *